Domingo, Novembro 29, 2009

To my kenyan friend


Hello Maria,

Thanks for the wonderful messages that are natural and with inspiration,i am also inviting you as a writer to be my friend. am in Africa the country of my birth is kenya.We were a very peaceful country since we attained our independence from the british back in 1963, but towards the election of 2007 all hell broke loose we turned agaist brother and sisters,we diviated from the values that keep us as a nation and killed each other just because of elections.party issues and also to see which tribe is powerful.

Our leaders come to an agreement and formed a coalition and a grand coalition gorvement was formed.Today maria we have destroyed our only water tower that feeds the entire east Africa population with water and destroyed it,people who have encroached this water tower are rich and do not want to move from it,they are instead telling the masses not to move and making it look political.Our president and prime minister are committed to making mau forest restored to its place but there are forces who have interest in mau who make this very enviromental disaster hard to deal with.

Maria please use your pen to help us in kenya save this very forest that means life to millons of humans in east and central Africa.
Ekutan


My dear friend Ekutan,
Grace and peace!
Thanks for the contact. I'm sorry for the situation in your country. I know that the lack of food and water leads to violent clashes between his people. It's all very sad. I wish I had the power to help them!
Unfortunately, I can do is just publish texts about the crisis that hit the Kenya, to my friends.
I ask God to give them strength to overcome the crisis.
May God make fall a shower of blessings on his people. Urgent!
I leave you a video of an african that I like: Ismael Lö.
Hugs from Brasil
Maria
* Image from www.kenyamissionary365.com




Drought cause conflicts and deaths in Kenya

Lack of food and water leads to violent clashes between inhabitants; at least 24 elephants died.


Nairobi-one of the worst droughts in recent decades is causing serious problems for communities and animals of Northern Kenya. At least 32 people died in conflicts by water and land within the week, and local leaders say that there will be more violence.

In the Samburu district, at least 24 elephants have died of hunger or the shots were killed by hunters in search of food. "The situation is terrible, certainly is the worst of the 12 years that I'm here. If it's not raining in October and November, the crisis will be total. I can't not imagine the consequences, "says Ian Douglas Hamilton, organization of Defense save the Elephants elephants.

David Daballen, also save the Elephants, says that normally the animals are killed for who leave ivory tusks, but in carcasses found recently, feet and donkey have also been cut to be used as food.

Many bulls and cows are dying of thirst and hunger, which can become a disaster in communities that depend on cattle to survive. The information is from the BBC - 21/09/2009.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

A sabedoria de Herbert Viana



Cirurgia de lipoaspiração?
Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas.
Mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipos e muito mais piração? Uma coisa é saúde outra é obsessão.
O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto-imagem.
Religião, é dieta. Fé, só na estética. Ritual é malhação. Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem. Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção.
Roubar pode; envelhecer, não. Estria é caso de polícia. Celulite é falta de educação.
Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem? A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem. Imagem, estética, medidas, beleza.
Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa. Não importa o outro, o coletivo.
Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política.
Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal, mas...Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural.
Não é, não pode ser. Que as pessoas discutam o assunto.
Que alguém acorde.
Que o mundo mude.
Que eu me acalme.
Que o amor sobreviva.
'Cuide bem do seu amor, seja ele quem for'.
Herbert Vianna

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Há uma criança na rua


A esta hora, exatamente, há uma criança na rua.
É dever do homem proteger o que cresce,
Cuidar para que não tenha uma infância dispersa pelas ruas,
Evitar que naufrague seu coração de barco,
Sua enorme vontade de pão e chocolate,
Caminhar por seus países de bandidos e tesouros
Pondo-lhe a esperança no lugar da fome.

De outro modo é inútil ensaiar na terra a alegria e o canto,
De outro modo é absurdo porque de nada vale se há uma criança na rua.
Importam duas maneiras de conceber o mundo:
Uma, ser alguém como as outras pessoas ou
Arrancar cegamente dos demais a bolsa.
E a outra, um destino de salvar-se com todos,
Comprometer a vida até o último náufrago.

Como se pode dormir de noite se há uma criança na rua?
Exatamente agora, se chove nas cidades,
Se desce o nevoeiro gelado no ar
E o vento não é nenhuma canção nas janelas,
Não deve andar o mundo com o amor descalço
Levando um diário como uma asa na mão.

Trepando nos trens, provocando-nos o riso,
Golpeando-nos como um anjo de asa cansada,
Não deve andar a vida, recém nascida, já lutando,
A meninice arriscada a um pequeno ganho,
Porque então as mãos são dois fardos inúteis
E o coração, apenas uma má palavra.

Eles esqueceram que há uma criança na rua,
Que há milhões de crianças que vivem na rua
E uma multidão de crianças que cresce nas ruas.
A esta hora, exatamente, há uma criança crescendo.

Eu a vejo apertando seu coração pequeno,
Ohando para todos com seus olhos de fantasia,
Percorrem e olham para o homem rico,
Um relâmpago forte cruza seu olhar,
Porque ninguém protege essa vida que cresce

E o amor se perdeu como uma criança na rua.


*Tradução do poema "Hay un niño en la calle", do poeta argentino Armando Tejada Gomez
*Foto do site http;//nomeiodocaminho.zip.net

Domingo, Outubro 04, 2009

América Latina chora a morte de Mercedes Sosa

"Si se cala el cantor, cala la vida"


Quinta-feira, Setembro 17, 2009

A enganação dos falsos terreiros


Quem procura ajuda espiritual, geralmente o faz nos piores momentos da vida. Quando o mundo desmorona e a pessoa não encontra solução para seus problemas, sai em busca de gurus, igrejas, templos, terreiros, centros ou qualquer outro lugar que ache que lhe oferecerá respostas para suas perguntas.
Conheço muitas pessoas que, fragilizadas pela dor, caíram nas piores armadilhas que se possa imaginar. Os problemas são os mesmos: a dor da perda de um amor, a morte de um ente querido, desemprego, filhos problemáticos, vícios, doença na família.
Com o coração destroçado, as pessoas vão aos terreiros em busca de ajuda e consolo. Mas, na grande maioria das vezes, se deparam com espertalhões, que vivem de explorar a fé de quem já perdeu tudo.
Conheço inúmeras histórias, as mais absurdas possíveis. Gente que promete solução imediata para todos os males, a custa de um dinheiro exorbitante, valores irreais! Cega pelo desespero e pela esperança de ter seu problema solucionado em 21 dias, a vítima vende o que tem, faz empréstimo com juro altíssimo e acaba arranjando problemas muito maiores.
Passados os 21 dias prometidos, nada de resultado, quando não acontece o contrário. A pessoa cobra resultado e o pai ou mãe de santo fica agressivo, faz ameaças e assusta a vítima.
Com medo, as pessoas simplesmente se conformam com o prejuízo e não denunciam, pois sabem que feitiço para o mal todo mundo sabe fazer. Só as coisas boas que ninguém faz pra ninguém.

Apesar do prejuízo financeiro, do desgaste emocional e a frustração de não ter tido seu problema solucionado, a pessoa acaba caindo nas garras de outros espertalhões, sempre na tentativa de consertar o erro do vigarista anterior.
Assim aconteceu com quase todo mundo que eu conheço, que procurou terreiro aqui em Goiânia. Muitas vezes a pessoa tem um problema, e acaba arranjando muitos outros problemas e se afundando em dívidas imensas.
Histórias verídicas
As histórias seriam cômicas, se não fossem trágicas. Tenho um amigo, biólogo, bonitão, 38 anos, filho de um político influente, que caiu numa dessas armadilhas. Na tentativa de voltar para a esposa, após a separação definitiva, ele foi levado, por uma parente, a uma dessas macumbeiras que fazem milagres no amor.
A tal “mãe-de-santo” pediu que ele levasse um urubu para fazer um trabalho. E foi assim que meu amigo passou cinco noites consecutivas indo ao lixão. Isso mesmo, como ele trabalha o dia inteiro, só tinha a noite livre. E lá ia ele, todas as noites, com uma gaiola imensa para pegar o tal urubu. Ele ficava à espreita, sufocado pelo cheiro horrível do lixão, e nada da ave entrar na gaiola cheia de petiscos para atraí-la.


Chegou a sexta-feira do trabalho e o biólogo não conseguiu o urubu. Então, a “entidade” o autorizou a substituir o urubu por uma galinha preta. Mas tinha que ser “totalmente preta, inclusive o bico e os pés”. Meu amigo passou o final de semana andando por todas as feiras da cidade e municípios vizinhos. Depois de muita andança, ele finalmente encontrou sua galinha 100% black. A pobrezinha foi sacrificada em vão. Passados 21 dias, nada da mulher voltar.
Então, meu amigo e sua “mãe-de-santo” estiveram em cachoeiras, matas e cemitério fazendo trabalhos, cada um mais caro que o outro. Ele sempre com medo que alguém descobrisse que ele estava metido com essas coisas. Após seis meses de gastos exorbitantes com os trabalhos, finalmente ele teve notícias da ex-mulher. Ela estava morando com outra mulher! Sim! Meu amigo foi trocado por outra mulher!
Foram meses de trabalhos caríssimos para trazer a esposa de volta e ele finalmente teve comprovação do que todo mundo já sabia, mas ninguém tinha coragem de contar: a esposa (que é advogada) assumiu sua paixão por uma colega de trabalho.... E as duas vivem bem, até hoje. E o meu amigo? Me contou que está namorando com uma mulher, que conheceu lá na casa da “mãe-de-santo”, que também estava fazendo feitiço pro marido voltar....
Não, minha imaginação não é fértil. Caso verídico, não vou citar nomes, para não comprometer as pessoas envolvidas.


Freezer
Sei de muitas histórias absurdas, algumas impublicáveis. Tem uma diarista que faz qualquer coisa pra segurar o homem que ama (que além de casado, ainda tem uma outra amante...). Por conta dessa paixão, essa diarista não mede esforços e “investe” em macumba tudo o que ganha com faxinas pesadas, pra segurar o amado. Ela me contou que certa vez, tinha que levar uma galinha para fazer um trabalho e a tal galinha tinha que ser da região onde ela mora. Mas a diarista mora em Senador Canedo e o terreiro é no Nova Esperança (pra quem não conhece Goiânia, são dois extremos opostos da cidade.
A cliente ligou para a “mãe-de-santo” dizendo que não tinha como carregar a galinha em três ônibus lotados. Então, veio a resposta: “quando comprar a galinha, pede pro feirante quebrar o pescoço dela e você a traz morta numa sacola”.
Após atravessar a cidade em três ônibus lotadíssimos, com uma galinha morta numa sacola, a diarista finalmente chegou ao terreiro. Só que a “mãe-de-santo” havia se esquecido dela e tinha ido ao salão pintar o cabelo. Entretanto, as instruções vieram por telefone: “coloca a galinha dentro de um saco plástico no meu freezer, e na próxima sexta-feira você vem pra gente fazer a entrega”.
Uma semana depois, a diarista e a mãe-de-santo foram à encruzilhada, meia-noite, fazer um despacho com a galinha congelada, que já passava do sétimo dia! Resultado: o sujeito continua fugindo da diarista e a “mãe-de-santo” está com câncer, em estado terminal.
Mais uma vez ressalto que é história verídica.
Aqui não caberiam tantas histórias absurdas, sempre envolvendo muito dinheiro, despreparo e falta de respeito com o cliente e com as entidades.
No caso do biólogo, podem fazer a pergunta de sempre: “Por que uma pessoa que estudou tanto cai numa armadilha dessa?”


Resposta:
1 – Porque quem estuda é um ser humano igual a todos os outros, cheio de fraquezas e limitações.
2 – Porque quem estuda também tem sentimento e sofre com a perda de um grande amor.
3 – Porque pais e mães de “santo”, alguns semi- analfabetos, são diplomados pela escola da malandragem, sabem manipular, com maestria, as emoções e fraquezas de quem está fragilizado. Impiedosamente, sugam até o último centavo e a última gota da energia vital de suas vítimas. E a vítima se vê presa numa teia de aranha, sem saída, o que pode levar à loucura.
Além de terem vergonha de se expor, as vítimas também tem medo do mal que essas pessoas podem mandar-lhes como vingança. E assim, esses pilantras continuam impunes e sempre prontos a dar o bote na próxima vítima.
Quero deixar claro que eu respeito as religiões afro-brasileiras e que a nossa Constituição garante a liberdade de crenças e cultos religiosos. Sei que temos pessoas que dignificam suas religiões e ajudam muito quem os procura em busca de socorro espiritual.
Estou somente fazendo um desabafo em relação aos vigaristas, que, infelizmente, são muitos. Eu gostaria de saber como esses falsos pais e mães de “santo” conseguem dormir tranquilamente, após destruírem vidas?

Maria José Sá

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Rifa-se um coração


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.


Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"


Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta

Clarice Lispector

Quarta-feira, Agosto 12, 2009

Há momentos


Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.


O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

Clarice Lispector

Sexta-feira, Julho 31, 2009

Pacotes turísticos para políticos corruptos

A sugestão é da maravilhosa Grace Gianoukas, confira:

Segunda-feira, Julho 27, 2009

Recado

"Se meus inimigos pararem de dizer mentiras a meu respeito, eu paro de dizer verdades a respeito deles." (A. Stevenson)

Sábado, Julho 25, 2009

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


Luís de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Domingo, Julho 12, 2009

Martina Topley-Bird: uma pérola da black music


Faz pouco tempo que conheci "Quixotic", o primeiro Cd solo de Martina Topley-Bird. Foi amor à primeira audição. O álbum foi lançado em 2003 apenas na Europa, com posterior relançamento nos EUA. Porém, Martina já tem muito tempo de estrada. Ela é parceira do produtor musical Tricky - um rapper britânico dissidente do Massive Attack -, participou de seus discos entre 1996 e 1999, e sua contribuição valorizou os trabalhos incrivelmente.

A voz de Martina é sensual aos extremos, forte, delicada e vibrante. Um refinamento indescritível, com raízes na black music, resultando num swing soul maravilhoso! Um convite a um bom vinho e uma ótima companhia...

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Hoje me apetece "drummondiar"


VERDADE


A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

Sábado, Junho 20, 2009

Suprema Corte brasileira curte com a cara da imprensa



Com a cara “mais lavada do mundo”, o chefe da Suprema Corte tupiniquim anunciou que “assim como cozinheiro, jornalista também não precisa de escola”. Foi assim que o Ministro Gilmar Mendes justificou a derrubada da obrigação de diploma para se exercer a profissão de jornalista, essa semana.

No meu entendimento, de quase 20 anos de profissão e diploma da Universidade Federal de Goiás, esse senhor, que ocupa o cargo mais alto do judiciário brasileiro, não estudou o Estado Democrático de Direito, como devia.

Aproveitando que comparações estão na moda, para mim, diploma é como certidão de casamento: apenas um papel. O que vale é a qualidade da relação estabelecida, em ambos os casos. Sendo assim, a discussão não deveria ter sido sobre a obrigatoriedade do diploma para se exercer o jornalismo.

A pauta tinha obrigação de ser: o baixo nível das faculdades particulares que se proliferam, por interesses meramente comerciais, soltando, aos montes, gente muito despreparada para exercer a profissão, seja ela qual for.

Outra pauta super interessante é: o altíssimo salário do judiciário brasileiro X baixíssimo salário dos professores, médicos e todas as demais categorias de “simples mortais”.

Por aqui, costumamos dizer que existem dois tipos de profissionais do Direito: os que pensam que são Deus e os que tem certeza absoluta de que estão muito acima do próprio Criador, o que digo com propriedade, após mais de uma década cobrindo os bastidores do judiciário (o que me rendeu pressão alta e alguns fios de cabelos brancos)... É claro que existem exceções e tenho o privilégio de conhecer alguns operadores do Direito humanos e que fogem às regras da empáfia, infelizmente poucos.

Mas, voltando ao assunto, não basta ”saber cozinhar” para ser um bom jornalista. Nossa Suprema Corte sabe perfeitamente que a qualidade da informação também é responsável pelo nível de desenvolvimento de uma Nação. É claro que se os ministros do Supremo estão no topo do Olimpo, digo, na Suprema Corte, é porque estudaram muito. Estudaram exaustivamente as manobras jurídicas que emperram a justiça e favorecem somente quem tem dinheiro e poder. Herança do Direito Lusitano, afinal Portugal é pai do Brasil e a herança genética é muito forte, nem precisa de DNA: pai e filho decadentes.

Que dignidade tem uma Nação, cuja Corte Suprema “entende” que qualquer um pode ser formador de opinião??? E vou parando por aqui, porque minha pressão já está subindo. Ministro Gilmar Mendes, o senhor não é a “Ave-Maria”, mas é cheio de graça... Misericórdia!


*Fotos da minha maravilhosa madrinha Mônica Waldvogel e eu, na minha formatura

Sábado, Junho 06, 2009

Epitáfio




Hoje eu disse adeus para minha amiga Divina Evangelista da Silva, psicopedagoga e psicóloga.


Apaixonada por animais, ela adotou vários gatos e um cãozinho, cuidava deles com muito amor. Ela não resistiu a uma cirurgia cardíaca e partiu, hoje cedo, deixando os bichinhos muito tristes. É comovente ver a tristeza dos gatos e do cãozinho "Pop", tenho certeza que eles entendem o que aconteceu.
Pra minha amiga que acaba de partir, dedico essa música dos Titãs, que, infelizmente, traduz o estilo de vida que ela teve...

"Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr..."

Quinta-feira, Maio 21, 2009

MOBILIZAÇÃO NACIONAL CONTRA DERRUBADA DA LEI DE CRIMES AMBIENTAIS




AMIGOS,
ISSO É URGENTE, POR FAVOR, TELEFONEM E
REPASSEM PARA SEUS CONTATOS E PEÇAM QUE REPASSEM E REPASSEM.
EU JÁ TELEFONEI, é rápido.
Já está pronto para ser votado, o projeto de lei 4548/98 do ex-deputado José Thomaz Nonô, que exclui os animais domésticos e domesticados do artigo 32 da lei 9605/98 de crimes ambientais...
Se esse projeto de lei for aprovado, a farra do boi, rinhas etc deixarão de ser consideradas crimes. Cães, gatos, cavalos, e outros animais poderão ser tratados com toda crueldade que a polícia não tomará nenhuma providência.
Precisamos que todos liguem, o mais breve possível, para a Câmara Federal no telefone gratuito 0800-619619, dizendo que são contra o projeto de lei 4548/98 do ex-deputado José Thomaz Nonô, que exclui os animais domésticos e domesticados do artigo 32 da lei 9605/98 de crimes ambientais...VAMOS NOS MOBILIZAR!!! ISSO É MUITO SÉRIO!!
PEÇA AOS SEUS AMIGOS PARA FAZEREM PARTE DESTA CORRENTE DE AJUDA AOS ANIMAIS !!!!!ESTE PROJETO DE LEI FEDERAL É UM ESCÁRNIO ÀS NOSSAS CONQUISTAS!!!!!!O SEU AUTOR É DEFENSOR DAS TOURADAS, RODEIOS E VAQUEJADAS!!!!http://www.camara.gov.br/sileg/MostrarIntegra.asp?CodTeor=17943 Procedimento:
- Ao ligar, teclar opção 1 para falar com a atendente que lhe pedirá nome completo e endereço. - Depois lhe dará opções para seu protesto ser encaminhado.
- Uma delas é para os deputados de 3 estados ("quantidade" de parlamentares) a outra será de lideres dos partidos (ao total 21 - "qualidade") .
- Na hora eu optei pela quantidade, mas, pensei depois que a qualidade seria mais apropriada. - Porém, faça a opção que achar melhor.
ANOTE O DIA QUE LIGOU PARA QUE POSSAMOS COBRAR LISURA NO RECEBIMENTO DOS NOSSOS PROTESTOS.
A LIGAÇÃO É GRATUITA , VC SÓ PERDERÁ ALGUNS MINUTOS E ESTARÁ AJUDANDO TODOS OS ANIMAIS DOMÉSTICOS E DOMESTICADOS QUE PODERÃO SER MALTRATADOS E TORTURADOS...E OS RESPONSÁVEIS NÃO PODERÃO SER MAIS RESPONSABILIZADOS OU SOFRER QUALQUER PUNIÇÃO.... REPASSEM, POR FAVOR!

Obrigada

Segunda-feira, Maio 11, 2009

O que me faz sorrir...




Minha amiga Susana Garcia, do blog http://sonhoscomletras.blogspot.com/, me incluiu nessa brincadeira de dizer sete coisas que me fazem sorrir...
Quem me conhece sabe que sempre fui uma pessoa sorridente e expontânea, acredito que um sorriso sempre abre portas e derruba muros.
Mas quem me conhece também sabe que ultimamente as coisas andam difíceis e não ando lá tão sorridente. Nos últimos meses perdi alguns entes queridos, incluindo meu irmão mais velho e meus gatinhos de estimação.
Foram tantas perdas num curto espaço de tempo, que o sorrisão amarelou. Está voltando aos poucos. No momento, não sei se consigo me lembrar de sete motivos pra sorrir...
Mas...

- Meu amigo Júnior (nós na foto) sempre consegue me fazer sorrir, e vice-versa. Pode estar tudo ruim e nós sempre achamos algum motivo pra rir, nem que seja de nós mesmos, como dois palhaços. Fazemos nossa "terapia do riso" falando bobagens e brincando, numa linguagem só nossa. kkkkkkkkkk
Pra dar continuidade à brincadeira virtual, tenho que passá-la a sete blogs amigos, e espero que todos estejam em clima de brincadeira... rssssssss
Blogs indicados por mim:
- Arts, graphics and poems
- Inspirar-Poesia
- A moça do sonho
- Conceição Duarte
- Crônicas de uma menina feliz
- Desabafo das calcinhas
- Xanax

Terça-feira, Abril 28, 2009

O filme da minha vida




Filme da minha vida? São centenas de preferidos... No clip mostro alguns dos muitos que me emocionam...

Sábado, Abril 25, 2009

Esse blog está de luto


Hoje cedo, quando abri a porta da cozinha me deparei com o cenário dantesco: Safira, Zé Bob, Tico e Teco mortos, esticados na área dos fundos, com veneno espumando nas boquinhas.

Eram os últimos gatos que me restavam, pois o Garfield e a Princesa já tinham sido envenenados pelo vizinho.

Amo gatos, mas não os quero mais. Cada um que é assassinado me causa um sofrimento imenso, são entes queridos que partem. São da família. São minha família.

Sem mais comentários.

Sábado, Abril 18, 2009

Monteiro Lobato na minha vida


Já vim ao mundo predestinada a ler "O Sítio do Pica-Pau-Amarelo". E a profecia se cumpriu duas vezes antes de virar seriado de televisão. A primeira leitura foi aos seis anos de idade, incentivada pelo meu saudoso pai, e a segunda dois anos mais tarde, conduzida pela inesquecível professora Terezinha de Melo Pereira, da terceira série.

Por onde anda dona Terezinha? Eu gostaria muito de reencontrá-la. Ela é de Taubaté, a cidade do escritor. Fui sua aluna na Escola Estadual Professora Maria Ribeiro Guimarães Bueno, em São Paulo, na região do Jabaquara, em 1976. Sei que ela já publicou alguns livros didáticos, mas na editora não souberam me informar o paradeiro dela, se bem que quem se mudou de São Paulo fui eu... coisas do destino.

A seguir, relato minha conviência com Monterio Lobato. Na verdade esse é o mesmo texto que publiquei na blogagem coletiva do livro da minha vida (dia 17/3). Coincidentemente, eu já havia escrito sobre o Monteiro Lobato, então resolvi aproveitar o mesmo texto, com a aprovação da Vanessa.

Monteiro Lobato,
Quando minha mãe contou que estava grávida, meu pai profetizou: "vai ser menina, vai se chamar Maria José, como a avó, e vai ler o Sítio do Pica-Pau-Amarelo". No dia seguinte, ele comprou o livro do Sítio, que ficou guardado por seis anos.
Aprendi a ler e escrever com quatro anos de idade, e nunca mais parei. Escrever, para mim, é tão essencial quanto respirar.
O primeiro livro que li foi "O gato de botas", aos quatro anos. As letras eram imensas e tinha mais figura que texto. Dois anos depois eu já tinha lido dezenas de livrinhos e também já lia a revista "Recreio", sempre incentivada pelos meus pais.
Quando fiz seis anos, papai achou que eu já conseguiria entender o Sítio, então me entregou o presente há tantos anos guardado.

O Sítio do Pica-Pau-Amarelo foi o primeiro livro "grande" que eu li. Quase não tinha figuras, ao contrário dos que eu era acostumada a ler.
Mas, figuras pra quê? Se eu podia imaginar tudo o que estava escrito! Era incrível como eu podia visualisar as personagens e construir os cenários no meu imaginário!
Dois anos depois, aos 8 anos, já na terceira série do colégio, a professora Terezinha de Melo Pereira adotou o Sítio como leitura obrigatória. Então, o li pela segunda vez.
A dona Terezinha foi uma professora fantástica, que entendia muito do universo infantil. Ela me comparava à falante boneca Emília e fez a quarta profecia que se cumpriu na minha vida: disse à minha mãe que achava que eu seria jornalista... E mais, ela é de Taubaté, a sua cidade Monteiro Lobato! Até hoje lembro-me dela explicando que a palavra Taubaté significa "Rio das Borboletas".
A leitura do Sítio na sala de aula era assim: todos os dias, os últimos 20 minutos da aula eram para a leitura do livro. Cada dia um lia um trecho da obra em voz alta e o restante da turma acompanhava lendo em silêncio. E uma vez por semana, cada um escolhia uma passagem que foi lida durante a semana e fazia uma redação de 15 linhas sobre o tema.

Quando estávamos quase acabando nossa leitura coletiva, começou a passar o Sítio na televisão! Fiquei um pouco decepcionada, porque algumas personagens não eram exatamente como eu imaginara.
A primeira versão do Sítio-do-Pica-Pau-Amarelo apresentada pela TV Globo foi maravilhosa, mas as posteriores perderam o encanto com a troca dos atores.
Depois de tantos anos, dia desses vi um capítulo da versão atual do Sítio na TV. Sinceramente, aquilo está muito longe de ser o Sítio da minha infância.
A televisão "acabou" com a obra. Se bem que as crianças de hoje em dia também mudaram (e para muitoooooooo pior).
Monteiro Lobato, você acredita que as crianças de hoje não sabem brincar de faz-de-conta e não tem a menor idéia do que seja pirlimpimpim?
Monteiro, acabaram com a infância! É com tristeza que vejo crianças bem pequenas carregando celular e passando o dia no computador e a noite vendo programas de adultos na televisão...

Fico pensando, como alguém pode crescer sem saber brincar de faz-de-conta?
Que pais são esses que não ensinam os filhos a lerem o Sítio?
Me diga Monteiro, que graça pode ter a vida de alguém que nunca brincou de faz-de-conta? Que nunca imaginou o sabor dos bolinhos da Tia Nastácia? Que nunca se encantou com a sabedoria do Visconde Sabugosa? Que não conhece a Cuca e o Saci? Como pode existir alguém que nunca se divertiu com as danações da boneca Emília?
Hoje em dia é assim. As crianças já nascem adultas (e vazias, mal criadas, sem limites...) e quando crescem viram adultos vazios, insuportáveis e sem criatividade, porque não tiveram infância...
Você faz muita falta, meu grande amigo Monteiro Lobato.

Evidência...



  • "A liberdade da imprensa
  • goiana é do tamanho da
  • gaiola em que ela
se encontra"

Segunda-feira, Abril 13, 2009

Sobre a doação de órgãos


Uma das peças publicitárias mais emocionantes que já vi foi essa campanha de doação de órgãos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O cachorrinho sente a presença do dono no receptor dos órgãos, que passa.
Será que alguém ainda tem coragem de se recusar a doar os órgãos após ver um clip tão emocionante???? Se bem que nesse mundo tem gente capaz de tudo... Quero crer que tenha até gente capaz de doar vida, desinteressadamente.


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Sábado, Abril 11, 2009

Nessa vida também tem coisa boa...

Páscoa é ressurreição, renascimento...

Vamos aproveitar o feriadão para refletirmos sobre nossas posturas e começar a mudar o que deve ser mudado...
Mas um chocolatinho sempre vai bem, afinal ninguém é de ferro!

E não devemos levar a vida a sério demais, pois ninguém vai sair vivo dela mesmo... rsssss


Domingo, Março 29, 2009

Recado para o vizinho que mata animais



Moço, estou cansada da sua maldade. Ano passado você deu veneno para o meu Garfield, que era um gatinho amarelo, peludo, lindo, que não incomodava ninguém. Meu coração disparou quando vi meu bichano morto, com a boca espumando de veneno. Foi uma dor imensa, no fundo da alma.
Há 15 dias, você matou a Princesa, usando o mesmo método, de dar veneno com carne moída, para atraí-los. Faltavam poucos dias para ela parir. Foi outra dor imensa.

E, não se dando por satisfeito, agora você espancou o Michel (fotos, a última foto abaixo é de antes dele ser espancado). Esse persa legítimo é tão manso, que não fugiu ao ser brutalmente espancado, sabe-se lá com o quê.

O Michel é de outra vizinha. Há alguns dias ela me contou que o bichano havia sumido e estavam todos preocupados, pois ele não tinha o costume de sair de casa. Ele foi encontrado encolhido num canto, à beira da morte, com um braço quebrado.

De acordo com o veterinário, os ferimentos foram causados por espancamento, provavelmente por um pedaço de pau. O médico disse ainda, que se não fosse encontrado naquele dia, o Michel teria morrido, pois foi muito ferido.

Não estou fazendo acusação sem fundamento. O vizinho que mata animais alheios se vangloria dos seus feitos. Ele se orgulha em sair contando para a vizinhança o que faz e ainda incentiva os filhos adolescentes a fazerem o mesmo. Não posso impedir gatos de andarem sobre o muro e namorarem no telhado, é a natureza deles! E mesmo que pudesse, tenho mais o que fazer na vida!

O vizinho que mata animais deve ser um homenzinho medíocre e muito infeliz. Para com isso moço! Que coisa feia! Que crime horrível! Os animais não têm culpa da sua infelicidade. Dizem que quem mata gato tem sete anos de azar. Tomara que seja verdade! E que o espírito de cada animal assassinado o atormente até o fim dos seus dias. Homenzinho medíocre e cruel.

Legislação brasileira

Matar animal é crime, decreto lei 24.645 e artigo 32 da lei federal 9.605.
Deve ser feito um boletim de ocorrência onde o delegado deverá abrir inquérito contra o assassino que deverá, no ato, ser fichado pela polícia e o ministério público fará a denúncia.
Se por acaso o delegado se negar a abrir o inquérito, deverá ser mencionado o artigo 319 que prevê crime de prevaricação e o delegado receberá a notícia de crime de não cumprir a lei.
Todas as provas que puder juntar, melhor para a condenação do mesmo, fotos, testemunhas. Placas de carro que abandonam animais também estão previstas na lei, qualquer tipo de maus tratos contra animais deve ser denunciado perante a lei.
O primeiro passo é o inquérito na delegacia, o segundo passo é a denúncia do promotor que faz a defesa e assiste aos animais, terceiro e último passo a condenação: reclusão de três meses a um ano de prisão e multa, ficará registrado crime no seus antecedentes e provavelmente não fará muitas coisas que dão direito a um cidadão, admissão em empresas é uma delas.
Fonte(s):
sentimento,vivencia e sobrevivencia" (contribuição: Celamar Maione)

Quinta-feira, Março 26, 2009

Se


Se és capaz de manter tua calma, quando todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando, e para esses no entanto achar uma desculpa.
Se és capaz de esperar sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais, nem pretensioso.
Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires, de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires tratar da mesma forma a esses dois impostores.
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas, em armadilhas as verdades que disseste.
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te reste.
Se és capaz de arriscar numa única parada, tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.


E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo, a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo, resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade.
Se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem!
Rudyard Kipling - Tradução de Guilherme de Almeida

Quarta-feira, Março 25, 2009

Ei você! Hey you !


Ei você!
aí fora no frio
Ficando sozinho, ficando velho, você pode me sentir?
Ei você! Parado aí nos corredores
Com coceira nos pés e sorrisos sem graça, você pode me sentir?
Ei você! não os ajude a enterrar a luz
Não se entregue sem antes lutar.
Ei você! aí fora porque quer
Sentado pelado, pelo telefone você iria me tocar?
Ei você! com seu ouvido no muro
Esperando por alguém para pedir ajuda, você iria me tocar?
Ei você! você iria me ajudar a carregar a pedra?
Abra seu coração, eu estou chegando em casa
Mas era só uma fantasia
O muro era muito alto como você pode perceber

Não importa de que forma ele tentou
Ele não conseguiu se libertar
os vermes comeram o cérebro dele.
Ei você! aí fora na estrada
Fazendo o que lhe disseram, você pode me ajudar?
Ei você! aí fora além do muro
Quebrando garrafas no corredor, você pode me ajudar?
Ei você!
não me diga que não há nenhuma esperança
Juntos nós somos, divididos nós cairemos.
(letra traduzida de "Hey You - Pink Floyd)

Terça-feira, Março 24, 2009

A saúde no necrotério




Quer saber mais? Vá ao blog da Conceição: http://conduarte.blogspot.com/

Segunda-feira, Março 23, 2009

Um movimento na natureza e um Brasil novo


Esse projeto é da Georgia do blog Saia Justa, e eu estou apoiando porque penso que a iniciativa dela é nobre. Estou ajudando a divulgar, porque recentemente senti na pele o quanto é difícil lidar com "o coletivo". É lindo ver pessoas distantes e diferentes unidas em torno de um objetivo comum mas, para que dê resultado, tem que haver harmonia, o que nem sempre é fácil. Por isso, conte comigo Georgia.

"Um Brasil novo". É assim que precisamos chamar o Brasil e é assim também que a Beth do blog Mãe Gaia e a Georgia do blog Saia Justa estão fazendo um desafio a todos os blogueiros e pensam em fazer o Movimento Natureza. Georgia diz o seguinte:
"Dia 22 de abril faz 509 anos que fomos encontrados, pois descobrindo estamos até hoje. Estamos descobrindo a nossa Floresta Amazônica e com ela depenando, depilando, desmatando, desmarcando, desbancando, desmontando e tudo isso em menos de 500 anos.
Precisamos urgente, antes que seja tarde, de um Movimento na Natureza e um Brasil Novo. Para isso estamos desafiando você a participar desse Movimento em prol da Natureza.


1) Confirmar participacao no blog Movimento Natureza que foi criado exclusivo para discutirmos esse tema;

2) Levar o selo e fazer uma chamada no seu blog. A autora do selo para este movimento é a minha amiga Paula do blog Canetas Coloridas. Obrigada pela ajuda, Paulinha.

3) Escolhe um projeto que for melhor para você fazer. Você poderá falar do Movimento Natureza...
a) no Jardim de Infância do seu filho;
b) na escola do seu filho;
c) na comunidade do seu bairro;
d) na sua igreja;
e) no seu trabalho;
f) em outros locais;
g) você conseguiria movimentar o Parque e Jardim da sua ciadade para uma entrevista para o seu blog?
h) você conseguiria falar com o Prefeito da sua cidade para plantar uma árvore no dia em o Brasil inteiro comemora o seu descobrimento? É desafio mesmo!!!

4) Em quais desses locais você acha que poderá plantar uma árvore neste mês? (por favor, junto uma foto do evento)
a) no seu jardim;
b) no jardim de algum parente ou amigo;
c) no Jardim de Infância do seu bairro;
d) na escola do seu filho;
e) no bairro em que você mora;
f) na firma onde você trabalha;

5) Aos professores na blogesfera pedimos uma atuacao ainda mais intensa:
a) de conscientizar sua classe; falando sobre o tema;
b) Deixar que eles escrevam suas idéias numa redação, quem sabe transformá-las num livro na própria escola para ser lido por outras classses;
c) Plantar uma árvore com eles;

6) Você faz Faculdade???a) seria capaz de falar sobre o Movimento Natureza e levar a Faculdade onde você estuda a plantar uma árvore em algum lugar? É desafio mesmo!!!Com este Ato de Plantar uma Árvore, estaremos formando Um Novo Ciclo na Natureza. A floresta Amazônica ela existe como exemplo, ela pode ser no seu bairro, na nossa cidade, você já pensou nisso? Traga o pulmão da nossa Floresta até você. Dia 22 de abril, é o dia marcado para postarmos a nossa acao.http://movimento-natureza.blogspot.com/Confirme sua participação. Um abraço"

Domingo, Março 22, 2009

Tá grampeado



Uma homenagem aos políticos corruptos e suas desculpas esfarrapadas.
Fonte:http://charges.uol.com.br/

Terça-feira, Março 17, 2009

Pérolas do Clô

Hoje o Brasil perdeu sua figura mais polêmica, o deputado federal e estilista Clodovil Hernandes, ou simplesmente Clô, 71 anos, vítima de avc.
Enfim, Clô dispensa apresentações. Mas vale registrar que ele se foi como sempre viveu: em grande estilo. Seus órgãos seriam doados para várias pessoas, mas o procedimento não foi possível pela grande hemorragia interna.
Deixo aqui algumas frases dessa figura polêmica, debochada e carismática, que dizia o que bem pensava:

"Eu entrei [na política] mais para ser garoto propaganda da Câmara do que qualquer outra coisa. Porque não tenho feito nada. Eu vim aqui para trabalhar e não para brincar."
Na Folha de São Paulo, em 2007

"Da fruta que eu gosto, o Leonardo DiCaprio gosta até do caroço. Sei disso porque boi preto conhece boi preto."
Na revista "Veja", em 2007, sobre a sexualidade do ator Leonardo DiCaprio

"Digo aos senhores que a única coisa de que tenho medo --já me fizeram muito medo aqui, como estrangeiro que sou nesta Casa-- é da expressão 'decoro parlamentar'. Eu não sei o que é decoro, com um barulho destes enquanto um deputado fala. Eu não sei o que é decoro, porque aqui parece um mercado! Nós representamos o país! Não entendo por que há tanto barulho enquanto um orador está falando. Nem na televisão, que é popular, fazem isso."
Primeiro discurso na Câmara dos Deputados, em 2007

"Será que precisamos de gravata ou de seriedade?"
Na Folha de São Paulo, em 2007

Direita ou esquerda? "Erecto"
"É claro que vou precisar de apoio, porque sozinho a gente não consegue nem se masturbar --tem de pensar em alguém."
Na Folha de são Paulo, em 2006

"Você conhece alguém com 70 anos que tenha essas pernas?"
No Guia da Folha, em 2006

"Estava desempregado e não tenho cara de pobre; não conseguiria nem inventar uma. Precisava fazer alguma coisa. Acordei num domingo de manhã, depois de operado de câncer de próstata, e resolvi escrever um espetáculo. Você sabe, o segredo da cura é o bom humor."
No Guia da Folha, em 2006

"As donas-de-casa me adoram porque sabem que eu vim de baixo. Vivi a história da Cinderela. E pobre gosta mesmo é de luxo."
Na Folha, em 1998

Blogagem coletiva: o filme da minha vida

BlogBlogs.Com.Br
Minha amiga Vanessa convida para outra blogagem coletiva genial: O filme da minha vida. É um desafio... já adianto que é impossível falar de um só... Ela sabe disso e deixa o recado:

"Se encontrar um livro que tenha norteado sua vida até agora foi difícil, um filme será próximo do impossível. Eu sei muito bem disso. Existem dezenas de filmes que eu realmente gostei de assistir e virão outros, se Deus quiser. O filme de minha vida é um exercício. Escolher um filme que tenha marcado muito. Se sair uma listinha com dez, ainda assim estará valendo.
Mas existe sempre AQUELE filme. Falemos sobre ele.

Caso deseje participar:

1. Deixe seu nome e blog na caixa de comentários deste post até o dia 27 de abril (no blog http://fio-de-ariadne.blogspot.com/);
2. leve um dos selos da coletiva ;
3. Faça um post sobre o evento no seu blog, contendo este passo-a-passo e divulgue o selo;
4. Prepare na data marcada - dias 29 e 30 de abril- um post falando sobre o filme , sobre a experiência de assistí-lo, o que marcou, o que quiser falar sobre ele. Trata-se do seu filme preferido e, e claro, você é quem manda."

Águas de março



É meio dia em Goiânia, o céu está escuro e está caindo a maior chuva.
Que delícia! Amo chuva, com um friozinho levíssimo convidando ao cappuccino.
São as águas de março fechando o verão.
São promessas de vida no meu coração!
Que a chuva lave todo o mal.
E que as promessas se cumpram, restaurando o coração.
Amém!

Quarta-feira, Março 11, 2009

"O mal existe e não tem cura"

“Mentes perigosas”, editora Fontanar, escrito pela psiquiatra brasileira Ana Beatriz Barbosa e Silva é um dos grandes sucessos editoriais do momento.

Para mim, chega a ser um livro de “utilidade pública”, pois nos ajuda a identificar pessoas psicóticas e nos ensina a fugir delas.
A psiquiatra nos alerta que o mal existe sim, e temos que fugir dele. De acordo com seus estudos, 4% da população mundial sofre de algum distúrbio psicótico, a maioria homens.
Ana Beatriz explica que o indivíduo psicótico tem plena consciência de que está errado, mas não se importa com o que faz, não tem sentimentos, não se arrepende e nem tem dó da vítima, e sempre repete os erros.
De acordo com a autora, são indivíduos que gostam de fazer outras pessoas sofrerem e não se incomodam com isso. “Geralmente, eles escolhem pessoas boas de coração e as usam, mentem, iludem, machucam, sem o menor remorso”.
“Nesse caso, enquadram-se “falsas amigas” que ouvem suas lamúrias, dão conselhos, aproximam-se e depois que tem sua confiança e sabem detalhes da sua vida, usam seus sentimentos para fazer intrigas e distorcer sua vida, causando danos profundos”.
Também é o caso de homens que se aproximam de mulheres honestas, boas, as seduzem e fazem-nas apaixonarem-se por si, envolvendo-as num jogo de sedução e poder. Esses homens são sedutores e apaixonantes e quando pegam os pontos fracos da vítima, oferecem amizade, carinho e amor.
Mas logo, eles revelam a verdadeira face e provocam profundo sofrimento na vítima. Desprezam-na friamente, matam seus sonhos impiedosamente, sem o menor sentimento de culpa, e partem para a próxima vítima, como se não tivessem feito nada de errado.

Ana Beatriz avisa: são mentes perigosas, é a prova de que o mal existe e não tem cura. No livro, ela afirma que psicopatas nascem com um funcionamento cerebral que não permite conexão com os outros seres humanos – e por isso agem sem limites. A médica diz ainda que é um equívoco relacionar psicopatas apenas com pessoas capazes de atos violentos ou assassinatos em série. “Eles são 4% da população e podem ser qualquer pessoa: um colega de trabalho, a amiga, o namorado, marido ou um filho”.
A psiquiatra afirma que temos que ter consciência de que a maldade existe:
"Nós, latinos, afetivos, passionais, temos dificuldade de admitir que existem pessoas más. Ao contrário do doente mental psicótico que não tem consciência do que faz, o psicopata sabe exatamente o que está fazendo. Ele tem um transtorno de personalidade. É um estado de ser no qual existe um excesso de razão e ausência de emoção. Ele sabe o que faz, com quem e por quê. Mas não tem empatia, a capacidade de se pôr no lugar do outro.”

A autora (foto) alerta:
“Todos os psicopatas têm em comum a ausência do sentimento em relação às outras pessoas. Não conseguem se colocar no lugar do outro, daí agirem de forma fria e sem arrependimentos. O que caracteriza o psicopata não é o nível do crime, mas a forma como ele o comete, a predisposição para planejar e executar sem nenhum sentimento em relação à vítima.”
Para Ana Beatriz, não é fácil detectar um psicopata, num primeiro momento, especialmente quando temos alguma ligação afetiva com eles:
Mas há algumas características básicas entre eles: falam muito de si mesmos, mentem e não se constrangem quando descobertos, têm postura arrogante e intimidadora por um lado, mas são charmosos e sedutores por outro. Costumam contar histórias tristes, em que são heróis e generosos. Manipulam as pessoas por meio de elogios desmedidos.
Se tiver de começar a desconfiar de alguém, desconfie dos bajuladores excessivos. Chefes também podem ser psicopatas – o que costuma se manifestar pelo assédio moral aos funcionários. Um dado interessante é que eles não sentem compaixão, pena, remorso. Mas sabem, cognitivamente, o que é ter esses sentimentos. Daí representarem tão bem – e às vezes exageradamente – a vítima.”
A médica explica que as vítimas quase sempre são pessoas generosas, em especial aquelas que não acreditam no mal e costumam tentar justificar as atitudes de todo mundo.

Ela alerta que nem sempre os psicóticos são homicidas: “É um equívoco pensar que apenas assassinos seriais são psicopatas. Um psicopata pode nunca ter a necessidade de assassinar, mas ele resolve suas questões matando vidas afetivas e financeiras, prejudicando pessoas de forma irreversível, mas sem agredí-las fisicamente.”

Ana Beatriz Barbosa ensina: “Não podemos fazer concessão. Diante dos sintomas expostos, temos que fugir dessas pessoas e cortá-las da nossa vida, pois elas são más e impiedosas, por onde passam deixam um rastro de destruição.

Os psicopatas são perversos, provocam traumas nas outras pessoas, mas não tem sentimentos e tendem a se repetir, não procuram ajuda, pois não acham que estejam errados. Então, cabe às pessoas normais , e de coração bom, identificarem as pessoas más e fugirem delas.”

Obs. A foto da escritora foi copiadado site www.revistaepoca.com.br

Quinta-feira, Março 05, 2009

Love is all


Alô fofoqueiros e paparazzi de plantão!

Sintam-se à vontade para falar da minha vida pessoal. Assumo em público minha paixão incondicional pelo Yanni!
Podem falar o que quiserem! Não estou nem aí! Ele é maravilhoso mesmo!

Sonhar é bom, né?
Se bem que ainda não rolou, só porque ainda não fomos apresentados pessoalmente, mas é uma questão de tempo... rsssssssss
Quem dera...


Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009


"Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo." Eça de Queiróz

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Malandro da alta sociedade é outra coisa...


Toda pessoa é considerada inocente até que se prove o contrário. E a quem acusa cabe provar...
Logo, não estou acusando ninguém injustamente, MAS as evidências estão mostrando que a tal brasileira na Suiça é uma golpista que inventou uma farsa para lesar o governo Suiço. Certamente ela achava que lá fora a justiça fosse tão ineficaz quanto a nossa.... Se deu mal.
Como a fulana é filha de não sei quem, que é não sei o quê, não sei aonde, a justiça brasileira logo ofereceu todo apoio do mundo para ela, "coitadinha". E a imprensa brasileira fica "toda cheia de dedos" quando fala do caso, certamente seguindo "ordens superiores" para não falar mal da filhinha do papai. E emprego pra jornalista não está fácil, então: quem pode manda, quem tem juízo obedece!

Essa tal Paula é uma vergonha para o Brasil e não vítima. Está na cara que ela queria dar o golpe no governo suiço e inventou uma mentira escabrosa. A própria família diz que ela não tem problemas mentais...
Pra mim, é somente uma golpista, malandra, e o governo brasileiro deveria ter vergonha na cara de perder tempo com ela. Tem muita gente decente no Brasil precisando de um olhar da Justiça, mas como a fulana é filha de não sei quem, que é não sei o quê, ficam paparicando ela. Façam-me o favor! Criem vergonha na cara!
Meu ouvido não é penico.

ACORDA BRASIL!


Por que, ao invés de perder tempo com malandra profissional, a justiça brasileira não trata de despachar os milhares de processos encalhados? E de preferência, com as sentenças lícitas, ou seja, sem suborno (se não for pedir demais...) Serviço por aqui não falta. Deixem a justiça Suiça fazer o trabalho dela em paz.

O assassino da irmã Dorothy foi solto, por que não se faz justiça nesse caso????? Será que é porque a justiça brasileira anda ocupada demais protegendo malandros da alta sociedade?

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

O livro da minha vida


Monteiro Lobato,
Quando minha mãe contou que estava grávida, meu pai profetizou: "vai ser menina, vai se chamar Maria José, como a avó, e vai ler o Sítio do Pica-Pau-Amarelo". No dia seguinte, ele comprou o livro do Sítio, que ficou guardado por seis anos.
Aprendi a ler e escrever com quatro anos de idade, e nunca mais parei. Escrever, para mim, é tão essencial quanto respirar.
O primeiro livro que li foi "O gato de botas", aos quatro anos. As letras eram imensas e tinha mais figura que texto. Dois anos depois eu já tinha lido dezenas de livrinhos e também já lia a revista "Recreio", sempre incentivada pelos meus pais.
Quando fiz seis anos, papai achou que eu já conseguiria entender o Sítio, então me entregou o presente há tantos anos guardado.

O Sítio do Pica-Pau-Amarelo foi o primeiro livro "grande" que eu li. Quase não tinha figuras, ao contrário dos que eu era acostumada a ler.
Mas, figuras pra quê? Se eu podia imaginar tudo o que estava escrito! Era incrível como eu podia visualisar as personagens e construir os cenários no meu imaginário!
Dois anos depois, aos 8 anos, já na terceira série do colégio, a professora Terezinha de Melo Pereira adotou o Sítio como leitura obrigatória. Então, o li pela segunda vez.
A dona Terezinha foi uma professora fantástica, que entendia muito do universo infantil. Ela me comparava à falante boneca Emília e fez a quarta profecia que se cumpriu na minha vida: disse à minha mãe que achava que eu seria jornalista... E mais, ela é de Taubaté, a sua cidade Monteiro Lobato! Até hoje lembro-me dela explicando que a palavra Taubaté significa "Rio das Borboletas".
A leitura do Sítio na sala de aula era assim: todos os dias, os últimos 20 minutos da aula eram para a leitura do livro. Cada dia um lia um trecho da obra em voz alta e o restante da turma acompanhava lendo em silêncio. E uma vez por semana, cada um escolhia uma passagem que foi lida durante a semana e fazia uma redação de 15 linhas sobre o tema.

Quando estávamos quase acabando nossa leitura coletiva, começou a passar o Sítio na televisão! Fiquei um pouco decepcionada, porque algumas personagens não eram exatamente como eu imaginara.
A primeira versão do Sítio-do-Pica-Pau-Amarelo apresentada pela TV Globo foi maravilhosa, mas as posteriores perderam o encanto com a troca dos atores.
Depois de tantos anos, dia desses vi um capítulo da versão atual do Sítio na TV. Sinceramente, aquilo está muito longe de ser o Sítio da minha infância.
A televisão "acabou" com a obra. Se bem que as crianças de hoje em dia também mudaram (e para muitoooooooo pior).
Monteiro Lobato, você acredita que as crianças de hoje não sabem brincar de faz-de-conta e não tem a menor idéia do que seja pirlimpimpim?
Monteiro, acabaram com a infância! É com tristeza que vejo crianças bem pequenas carregando celular e passando o dia no computador e a noite vendo programas de adultos na televisão...

Fico pensando, como alguém pode crescer sem saber brincar de faz-de-conta?
Que pais são esses que não ensinam os filhos a lerem o Sítio?
Me diga Monteiro, que graça pode ter a vida de alguém que nunca brincou de faz-de-conta? Que nunca imaginou o sabor dos bolinhos da Tia Nastácia? Que nunca se encantou com a sabedoria do Visconde Sabugosa? Que não conhece a Cuca e o Saci? Como pode existir alguém que nunca se divertiu com as danações da boneca Emília?
Hoje em dia é assim. As crianças já nascem adultas (e vazias, mal criadas, sem limites...) e quando crescem viram adultos vazios, insuportáveis e sem criatividade, porque não tiveram infância...
Você faz muita falta, meu grande amigo Monteiro Lobato.

Sábado, Fevereiro 14, 2009

Tempo perdido


BlogBlogs.Com.Br




Para a blogagem coletiva do
Varal de Idéias


É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E Selvagem! Selvagem!
Selvagem!...

Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos...

Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo...

Não tenho medo do escuro



Mas deixe as luzes
Acesas agora
O que foi escondido
É o que se escondeu
E o que foi prometido
Ninguém prometeu
Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens...

Tão Jovens! Tão Jovens!...

(Renato Russo)

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Penetração do poema das sete faces



(A Carlos Drumond de Andrade)

Ele entrou em mim sem cerimônias
Meu amigo seu poema em mim se estabeleceu
Na primeira fala eu já falava como se fosse meu
O poema só existe quando pode ser do outro
Quando cabe na vida do outro
Sem serventia não há poesia não há poeta não há nada
Há apenas frases e desabafos pessoais
Me ouça, Carlos, choro toda vez que minha boca diz
A letra que eu sei que você escreveu com lágrimas

Te amo porque nunca nos vimos
E me impressiono com o estupendo conhecimento
Que temos um do outro
Carlos, me escuta
Você que dizem ter morrido
Me ressuscitou ontem à tarde
A mim a quem chamam viva
Meu coração volta a ser uma remington disposta
Aprendi outra vez com você
A ouvir o barulho das montanhas
A perceber o silêncio dos carros
Ontem decorei um poema seu
Em cinco minutos
Agora dorme, Carlos.

Elisa Lucinda

*Elisa Lucinda é atriz e escritora brasileira, natural do Espírito Santo. Sua literatura aborda o cotidiano e destaca-se cada vez mais no cenário nacional.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Eva e Lilith na TV


Altas horas da madrugada. Sentadas ao redor da mesa de um programa qualquer de tevê as duas mulheres são convidadas a expor suas exóticas histórias de vida. Poderia ser um programa como qualquer outro se essas duas não fossem justamente as duas mulheres de Adão.
A entrevistadora faz as apresentações, agradecimentos e o merchandise de sempre e finalmente, após a "musiquinha da chamada", começa o debate.

- Lilith, uma dúvida, os demônios são melhores de cama que Adão?

- Mas que porra de pergunta é essa? Isso é um daqueles programas baixo nível da tevê aberta por acaso? Hmpft! Você só me bota em furada Eva!

- Calma, minha querida! Nossos espectadores só querem saber por que você largou o paraíso pra viver entre os caídos.

- Caídos? Você ainda ofende a minha prole! É o fim da picada!
Eva, sabendo do gênio de Lilith (foto), decide intervir ao seu jeito.
- Lilith, entrega o jogo de uma vez, conte a história que o povo não conhece. Adão era insuportável mesmo.
-Pô, o Adão... Adão era um bunda mole. Eu, não entendo até hoje porque a humanidade aceitou esse papo furado de que eu era a parte má do ser Adâmico, o ser humano original, homem e mulher perfeitamente fundidos...

- Perfeitamente, não. Na verdade, o projeto sofreu um recall divino... interfere Eva mais uma vez.

- 'Tá bom, tinha um erro de projeto que deixou a gente auto-suficiente demais. Surgiu a solidão, sabe?; uma vontade doida de sentir prazer com outro alguém que não se realizava...
- Paraíso só na punhetinha não dava, né?
- Cala a boca, Eva, cacete!
- Foi o puto do Samael que desenhou essa libido. - completa Eva.
- Mas, continuando o que eu dizia, chegamos a um consenso com o Projetista para separar nossos corpos em dois seres complementares. Era uma idéia genial pra matar a nossa solidão e, claro, a vontade corrosiva de fuder também. Infelizmente, a mão-de-obra no início dos tempos era muito inexperiente e não dosou bem a divisão. Se eu soubesse que iam fazer a merda que fizeram eu não deixava. No final, o Adão ficou com tudo, até a raiz do nosso nome original. Os nossos pedidos eram encaminhados através dele porque Deus não queria que a divisão acarretasse o dobro na demanda de desejos. O desgraçado começou a "viajar" e dizia que era a personificação de nossa identidade anterior, Deus o escolhera e blá-blá pão duro. Ele era só uma espécie de representante da turma, porra. Eu não passava de uma personalidade desviante pra ele.
- A irada face de Lilith deixa uma lágrima à mostra
-Em resumo, eu era inferior na opinião daquele sacripantas. - irrompe o choro e a platéia solta um oh! compassionado.
- Que coisa horrível! Que Monstro! Diz a apresentadora emocionada. Emocionada ao pensar no Ibope que dá ver uma mulher chorando.
- Eu fiquei com a maior parte da libido, com o lado selvagem e sem medo. Sabia que era igual e exigia respeito. Adão ficou com o medo, com a soberba e a babaquice. Ficou com medo de mim, parte de seu passado que agora queria em segredo, e, por isso, não aprendeu comigo a amar.
-Você queria amar vindo por cima, na hora que o desejo pintasse e ele não aceitava essa sua segurança?
- Eu era a ousadia e ele me rejeitou. Responde Lilith à apresentadora.
- E você não sofreu com isso?
- Sofrer, sofrer, não... Fiquei magoada, sim, pois gostava daquele safado. Mas eu era também o primeiro ser que pisara na face do planeta e não ia ficar me remoendo só porque a minha "outra parte" decidiu que era a cereja do bolo da criação e não encarava um fio terra de vez em quando. Os incomodados que se mudem, não é mesmo?. Fugi bradando indignação contra o Projetista e, na calada da noite, aprendi a cavalgar os ventos e deixei aquele viadinho no Paraíso. Decidi que ia procurar o inventor dessa vontade maluca de fuder que eu tinha e iria me acabar de tanto transar.

- Uau! Debaixo dessa pose de mandona você é uma safadona, hein? Vamos chamar os comerciais e continuar nosso papo no próximo bloco.

Texto de Henrique Silva Santos, do blog:
http://www.pakkatto.blogspot.com/

Domingo, Fevereiro 08, 2009

Para a confraria dos cafajestes

Dedico esse poema da genial Marina Colasanti aos cafajestes de plantão.
Isso mesmo, os "cafas", que são o que mais tem no mundo. Chego a me perguntar se existem exceções para essa regra...
"Cafa" é aquele que "canta tudo que se move" e não pode ver um rabo de saia (seja real ou virtual)... É aquele que só pensa em satisfazer seu ego imenso e desconhece a existência da palavra consideração.
Os cafas são tão imbecis que quando têm a sorte de encontrar um amor verdadeiro, são incapazes de reconhecê-lo.
Isso mesmo, os cafas são capazes de jogar no lixo, impiedosamente, os mais nobres sentimentos da mais sensível e sincera criatura.
Homens, deixem de ser ridículos! Olhem-se no espelho e coloquem a mão na consciência! Mas antes, lavem as mãos, tá?
Tenham vergonha na cara e parem de tratar suas companheiras como se elas fossem privada, onde vocês se aliviam e pronto!


Sexta-feira à noite


Sexta-feira à noite
os homens acariciam o clitóris das esposas
com dedos molhados de saliva.
O mesmo gesto com que todos os dias
contam dinheiro papéis documentos
e folheiam nas revistas
a vida dos seus ídolos.

Sexta-feira à noite
os homens penetram suas esposas
com tédio e pênis.
O mesmo tédio com que todos os dias
enfiam o carro na garagem
o dedo no nariz
e metem a mão no bolso
para coçar o saco.

Sexta-feira à noite
os homens ressonam de borco
enquanto as mulheres no escuro
encaram seu destino
e sonham com o príncipe encantado.

(Marina Colasanti)

Sábado, Fevereiro 07, 2009

Cazuza e Cássia Eller: les terribles enfants da música brasileira


Na sua passagem meteórica pela terra, Cazuza transgrediu todas as regras e disparou seus dardos envenenados pra todo lado.
Foi um burguês que cuspiu, arrotou e vomitou na cara da burguesia. Escancarou a podridão da sociedade, sem censura e sem dó. Genial. Adorável!

E o que dizer de Cássia Eller?
Muito louca, louquíssima, e super, hiper, mega talentosa! Que voz! Que presença! Que tudo!
Cássia tinha que ir embora cedo mesmo, aprontou demais... rsssss
Registro aqui esse momento maravilhoso da música brasileira: Cássia Eller interpretando Cazuza.
Totalmente demais!

Blues da piedade

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já crescem com cara de abortadas
Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm
Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia
Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que estão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça
Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade
Vamos pedir piedade...

(Composição: Cazuza)

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Tecendo a vida



Aleluia! Hoje acabei um tapete que estava bordando há exatos três anos (foto)! É que não tenho muito tempo... Ele mede 1,40 m X 0,80 m, e fiz no ponto casa caiada, um dos mais belos e complicados da tapeçaria (na minha opinião...).
Quando comecei esse tapete, jamais poderia imaginar o quanto minha vida mudaria nesse período, e nem que eu demoraria tanto para fazê-lo.
Cada ponto na tela correspondia a um ponto na vida...
Por uma década, minha vida transcorreu sem grandes novidades, rotina normal dentro da minha profissão de muita correria.
Não mais que de repente, tudo virou "de ponta cabeça".
Muitas mudanças no trabalho trouxeram inúmeros problemas. Daí a necessidade da tapeçaria para "aliviar o peso da mente".

No meio do caos estabelecido pelo destino, surge o grande e único amor da minha vida, até hoje.
E tudo ficou mais colorido. A combinação de cores das lãs era incrível. Tudo sincronizando perfeitamente. O universo estava em harmonia e o bordado seguia tranquilo, nas horas vagas.
De repente, não mais que de repente, o destino me deu outra rasteira, eu vi o meu amor ir embora, sem adeus, sem eu nada poder fazer para segurá-lo junto a mim... E a linda história de amor perdeu-se nas águas salgadas do Oceano Atlântico...

Seguiu-se mais um longo período de luto. A alegria foi trocada por uma dor sem fim. E o bordado seguia, com muitas lágrimas derramadas sobre a lã.
E assim foi, até o fim.

Hoje, ao dar o último ponto, também determinei que com este tapete se finda um ciclo da minha vida. Os últimos anos foram terríveis, mas resultaram num amadurecimento profundo, na marra.
Eu determino que, a partir de agora, tudo vai ser diferente. Fechou-se o ciclo ruim. Tenho que dar espaço para que a energia positiva invada minha vida novamente.
Sinto um alívio imenso por ter findado a tarefa que me impus. Porém ainda não consigo gostar desse tapete e penso em desfazer-me dele. Está tudo recente e confuso.
Vou guardá-lo. Quem sabe, um dia, tudo que eu chorei em cima dele suma da minha lembrança, então eu poderei usá-lo em algum cantinho da casa... Mas ainda não dá...

Blogagem coletiva - O livro da minha vida



A Vanessa, do excelente blog "Fio de Ariadne" está propondo uma blogagem coletiva para o próximo dia 17 de fevereiro, com o tema: O livro da minha vida. Achei a idéia fantástica e estou divulgando.

Caso deseje participar:

1. Clique no selo "Blogagem coletiva", à direita dessa página e leia os detalhes;
2.Copie o selo da coletiva (como imagem) ;
3. Faça um post sobre o evento no seu blog, contendo este passo-a-passo e divulgue o selo;
4. Prepare na data marcada um post falando sobre o livro, sobre a experiência de lê-lo, o que marcou, o que quiser falar sobre ele. Trata-se do livro da sua vida, você é quem manda.

Sexta-feira, Janeiro 30, 2009

Televisão de qualidade para notívagos














Foi numa dessas intermináveis noites de insônia que descobri excelentes programas de televisão. Aquela programação cultural que todo mundo vive reivindicando existe sim! O único probleminha é o horário... bons programas passam após às 2h da manhã. Ou seja, quem precisa levantar cedo para trabalhar e estudar, certamente não assiste TV nesse horário...
Semana passada, por volta de 3h da manhã, vi na TV Futura, canal 30 da Net,um documentário muito bom com a jovem musicista brasileira Andrea Drigo (foto), que eu ainda não conhecia.
Andrea toca violão e piano, canta e tem formação em música erudita, MPB, ritmos africanos e indianos e mais num monte de ritmos. Ela é acompanhada pelo instrumentista Marcos Santhuryus, que foi aluno de Wagner Tiso e Ravi Shankar, entre outros grandes. Ele passou 12 anos entre Europa e Índia, estudando música.

Andrea está lançando o primeiro CD solo: A Dança, onde apresenta uma fusão de diversos ritmos, que resulta num som harmonioso, tendendo para o oriental, pontuado pela cítara e pelo vocal, que lembra os mantras indianos.
Andrea contou que começou a estudar música aos sete anos de idade. O pai dela também é músico profissional, mas teve que deixar a música e ir trabalhar como vendedor, para poder sustentar a família, e não poupou esforços para que a filha pudesse estudar.
Pelas quatro músicas que o documentário mostrou, concluo que certamente o sacrifício do pai de Andrea Drigo valeu a pena, ele deve estar muito orgulhoso da filha. Não creio que ela fique famosa por aqui, pois o mercado brasileiro só valoriza aquelas porcarias de massa, feitas para anencéfalos...

E me lembro de um programa que eu adorooooooooooo e passa super tarde (por isso quase não assisto), é o Provocações, do genial Antônio Abujamra (foto), na TV Cultura. Madrugada dessas, após uma entrevista com um psicanalista maravilhoso, "Abu" disparou: "nosso entrevistado de hoje expôs idéias incríveis, pena que a esta hora não tem ninguém nos assistindo", e deu uma gargalhada gostosa, ao estilo "Havengar". rssssssssss
Adoro o Abu e também adoro provocações. kkkkkkkkkkkkkkkk

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Réquiem para Isaac Benchimol


É muito difícil dar adeus a uma amigo querido. Hoje estou passando por essa dor novamente. Mesmo assim, sinto necessidade de contar para o mundo quem foi meu amigo Isaac Benchimol. Ele foi um vencedor: venceu a miséria, venceu a fome, venceu a seca do nordeste e todos os obstáculos que a vida lhe apresentou, só não conseguiu vencer a morte, e partiu "pro andar de cima" essa noite, num infarto fulminante, durante um jogo de futebol com amigos, aos 62 anos de idade.
Dr. Isaac era promotor de justiça e professor de Direito Penal, aqui em Goiânia. Destemido e esperto, como exige seu ofício, ele não tinha medo de ninguém e sabia viver. Tive o privilégio de conviver com ele durante todos esses anos de profissão.
Por um tempo, diariamente repetia-se uma cena hilária: eu subia ofegante as escadas da Associação do Ministério Público (onde fui assessora de comunicação, e ele diretor). Ao chegar no topo da escada, lá estava dr. Isaac sentado numa poltrona, tranquilamente fumando seus cigarros matinais.
Todos os dias eu lhe implorava para parar de fumar, e a resposta era a mesma: "Querida, você não fuma, tem asma e vive com falta de ar; eu fumo duas carteiras por dia, jogo futebol e tenho uma saúde de ferro". Hoje veio a resposta, velho teimoso!

De menino de rua à promotor de justiça

Isso mesmo, o elegante dr Isaac Benchimol foi menino de rua. Cearense, ainda criança mudou-se para Goiânia com os pais e os oito irmãos, fugindo da seca. Aos dez anos de idade, ele engraxava sapatos nas ruas, para ajudar no sustento da família. Mesmo assim, Isaac aprendeu ler e escrever, entretanto não podia frequentar a escola. “Na escola do mundo, não se tem opção. A prioridade é a sobrevivência, e nas ruas a tentação para praticar pequenos vícios era muito grande, mas consegui sofrear esses instintos”, dizia orgulhoso.

Antes de chegar no Ministério Público Estadual, Isaac Benchimol trabalhou como cobrador de ônibus, operário e mecânico, e foi trabalhando de dia e estudando à noite, que concluiu o segundo grau e fez curso técnico de contabilidade. Sempre apaixonado pelo futebol, chegou a jogar no Goiânia Futebol Clube, mas por pouco tempo, pois queria estudar mais.

Foi muito difícil concluir o ensino médio, mas para Isaac o curso técnico era pouco, seu sonho era fazer uma Faculdade. Com muito esforço, em 1971 entrou para o curso de Direito da Universidade Católica de Goiás. Trabalhava num escritório de contabilidade de dia e estudava à noite. Mas logo casou-se e teve que deixar a faculdade devido às limitações financeiras. Três anos depois, retomou o curso, sempre trabalhando como contabilista.

Casado, e os cinco filhos chegando aos poucos, Isaac conseguiu, com muito esforço, formar-se em Direito e passar na OAB. Somente algum tempo depois de formado, ele deixou a contabilidade para advogar. Mas continuou estudando e foi aprovado no concurso para promotor de justiça.

Mesmo sendo da minha altura (1,60 m), dr. Isaac carinhosamente me chamava de Baixinha. Sua voz ecoa na minha cabeça: "Tenha calma Baixinha, tenha jogo de cintura, tenha diplomacia, o jogo é sujo..."

E como o jogo é sujo! Assisti, horrorizada, um grupo de colegas do dr. Isaac tentando derrubá-lo, mas ele era forte e sabia se defender. Descanse em paz, guerreiro.

Domingo, Janeiro 25, 2009

Sim. Nós podemos.



Só quem tem sangue africano correndo nas veias e já foi vítima de racismo, como eu, entende a real dimensão da vitória de Barak Hussein Obama, que hoje ocupa o cargo mais importante do mundo.

Não sou idiota a ponto de achar que um homem vai consertar o caos em que se encontram os Estados Unidos da América num passe de mágica. Isso é outra história e merece uma aprofundada análise sociológica, cultural, econômica e política, o que não é o objetivo desse modesto blog. Estou me referindo "somente" à vitória da raça negra.

Chorei de emoção quando vi, pela TV, aquele negro sendo empossado no posto político mais alto do mundo. Obama não estava sozinho, além da sua família e de todos os negros presentes, ainda estavam lá Martin Luther King, Steve Biko, Nelson Mandela, Gandhi, Zumbi dos Palmares e milhares de pessoas que lutaram pela democracia racial no mundo, em todas as épocas.

Como será o governo dele, eu não sei, só sei que pior que o Bush é impossível. Para mim, a posse já foi um marco histórico por si. A Klu Klux Klan teve que se calar diante da família Obama. Os racistas nojentos estão tendo que engolir a vitória de um mestiço. E fico mais feliz ainda que a esposa de Obama também seja negra, pois aqui no Brasil, negro rico logo "compra uma loira popozuda" pra exibir por aí...

O racismo, para mim, é um dos piores preconceitos que podem existir. Julgar uma pessoa pela cor da pele é um absurdo injustificável!

Fui criada em São Paulo, onde o racismo é duro! Quando era criança, eu chorava muito quando ouvia coleguinhas me dizerem o seguinte: "minha mãe não quer que eu brinque com você, porque você é preta". Eu ouvi isso várias vezes. E só quem passou por isso sabe o que significa. E na escola, ainda tinha que aturar os apelidos: cabelo de bom-bril, cabelo de arame, dente de coelho. Logo entendi que nunca seria "bonita", então optei por estudar para "ser inteligente", na minha cabecinha de criança discriminada eu pensava assim.

Em São Paulo também é comum ouvirmos a expressão:"pessoa de cor". Que é uma maneira "elegante" da "raça pura" mencionar uma pessoa negra. Ora, que ridículo, toda pessoa tem cor, seja preto, branco, amarelo, vermelho, toda pele tem cor, depende da quantidade de melanina no corpo! De vez em quando ainda ouço "elogios" assim: "apesar da sua cor, você é muito inteligente"... Quando dou a resposta merecida, ainda há quem me chame de "mal educada"!
Sim, eu estou muito feliz pelo Obama. Chorei quando ele fez o juramento, de cabeça erguida. O processo eleitoral nos EUA é longo e massacrante e Obama venceu honestamente. Uma vitória de toda uma raça. Um marco na história mundial. Sinto-me vitoriosa também.
Transcrevo a seguir, partes do discurso de Martin Luther King:


EU TENHO UM SONHO


Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)


"Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchado nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros. Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.


Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição. (...) Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã.

Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.

Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

(...) E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espírito negro: "Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

Domingo, Janeiro 18, 2009

Feijoada de Krishna




Que a Rede Globo dá as ordens no Brasil não é novidade... Amanhã estréia a nova novela das 21h, cujo cenário é a Índia.
Como sempre acontece por aqui, a novela dita a moda. Não será de se admirar que as brasileiras logo adotem o sári como vestimenta (pelo menos até o final da novela) o que não seria ruim, pois assim andariam “mais cobertas”. rrssssssss
Eu adoraria que os brasileiros experimentassem a comida indiana, principalmente a maha prasadam vegetariana, que é muito saudável! Uma parte da Índia come carne, e outra parte é vegetariana.

Durante alguns anos freqüentei o Movimento Hare Krishna e foi ajudando a mataji Mahabaga na cozinha do templo e passando férias em Nova Gokula (comunidade rural do Movimento, em Pindamonhangaba, São Paulo) que aprendi a cozinhar.
Amigos, vou lhes deixar hoje um presentão: a receita da maravilhosa feijoada vegetariana de Krishna. Aproveitem, porque essa quem sabe fazer não ensina...
Só que para ser de Krishna, o alimento tem que ser preparado seguindo um ritual, mas como não estou querendo doutrinar ninguém, vou deixar a receita adaptada. Vale a pena experimentar. Se alguém se interessar pelos detalhes ritualísticos do preparo da maha prasadam, é só me dizer que eu explico.
• Obs, a comida de Krishna não leva alho e nem cebola.

Feijoada de Krishna
Ingredientes (para servir 6 pessoas):
1/2 kg de feijão preto
3 bananas da terra picadas
1 batata doce picada em pedaços grandes
1 xícara (chá) de abóbora picada
1 abobrinha verde picada
½ coco seco picado
1 beterraba grande picada
6 bolinhas de queijo provolone picadas
½ kg de manteiga de leite
2 folhas de louro
Sal a gosto
Tempero indiano

Modo de fazer
- Leve o feijão ao fogo, mas retire meio duro, antes dele cozinhar completamente.
- Refogue cada ingrediente na manteiga de leite, separadamente (primeiro a beterraba, depois a abobrinha e assim sucessivamente).
- Junte os ingredientes refogados e o tempero indiano ao feijão e volte para o fogo, para acabar de cozinhar.
- Depois da feijoada cozida, junte o queijo provolone e a banana (também frita na manteiga), dê uma fervura e pronto!
- Sirva com arroz branco, farofa de couve e laranja.

Tempero indiano:
Misture bem 1 colher (sopa) de cada uma dessas especiarias:
- Canela em pó
- Cravo moído
- Sementes de coentro (inteiras)
- Cardamomo
- Cominho
* Quem gosta mais picante, pode acrescentar 1 colher de pimenta calabresa.

- Refogue a mistura numa colher (sopa)de manteiga derretida e o tempero está pronto para o uso.

* Observações: A abóbora e a abobrinha podem ser substituídas por inhame, cará, mandioquinha, ou mandioca.
* Se quiser, pode adicionar "carne de soja" previamente hidratada, aquela em "pedaços grandes".

Haribol!

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

A igreja da minha infância


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“Papai-do-céu, eu nunca vou ser igual à música do padre Zezinho.
Eu nunca vou me esquecer da nossa amizade e nunca vou deixar de rezar e de conversar com o Senhor e com Nossa Senhora. Também nunca vou chegar em casa chateada e cansada.”


Essa foi uma redação que escrevi há exatos 32 anos atrás...
Na ocasião, eu fazia catecismo com a irmã Lúcia, uma freira paulina, de quase 80 anos de idade, à época. Eu freqüentava a igreja católica perto da minha casa, no bairro Bosque da Saúde (foto acima), na zona sul de São Paulo. Ali era a minha comunidade. Além das aulas de catecismo, nós cantávamos nas missas de domingo de manhã, celebradas pelo padre Freitas, um jovem muito bonito. Também tinha as animadas festas juninas e as quermesses. Eu participava de tudo, juntamente com as outras crianças católicas do bairro. A vida era uma festa!
Aprendíamos muito com a irmã Lúcia,uma velhinha magrinha,baixinha e super animada, uma educadora que entendia muito do universo infantil. Ela observava nossa vocação. Como sempre gostei de escrever, ela me incentivava ao máximo e me pedia para escrever sobre as letras das músicas que ensaiávamos para a missa, a maioria do padre Zezinho.
Também fazíamos passeios em chácaras e parques. E foi num desses passeios que conheci o padre Zezinho. Eu deveria ter uns 9 anos de idade. Foi paixão à primeira vista. Lembro que após o almoço ele tocou violão e cantou para a criançada. Cheguei em casa saltitante, contando as novidades para meus pais e minha avó.
Anos mais tarde, fui ao show do padre Zezinho, já aqui em Goiânia, não me lembro o ano, talvez no início dos anos 90. Foi no Ginásio Rio Vermelho, que estava lotado não só de católicos, mas também de pessoas de outras religiões.
Eu estava ansiosa para ver o ídolo da minha infância. E fiquei surpresa quando ele entrou no palco chorando. O padre Zezinho não conseguiu cantar a primeira música até o final, chorava muito. Então ele desculpou-se e explicou que havia poucos minutos que tinha sido avisado, por telefone, que a irmã mais velha dele havia morrido. Parece-me que ela escorregou no banheiro e bateu a cabeça, algo assim.
Nesse momento, me conscientizei de que o padre Zezinho é um ser humano, como eu e, pela segunda vez, me apaixonei por ele. Lembrei-me disso porque o vi hoje cedo na TV. Ele tem um programa, às 7h45 da manhã, na TV Aparecida, canal 20 da NET.
Infelizmente, a música do padre Zezinho estava certa: eu chego em casa chateada e cansada, e de rezar não tenho nem vontade. Muito antes daquele show aqui em Goiânia, eu já havia me afastado da igreja católica.

Há dois anos, andando sozinha pelo bairro da minha infância, fui até a igreja Nossa
Senhora da Saúde. Já fazia 25 anos que eu não ia lá. À medida que me aproximava, eu ia voltando no tempo. De repente, me deu a sensação de que era criança de novo e que encontraria todos ali, envolvidos nos preparativos da festa junina.
Quando cheguei à igreja, estava tudo fechado e não tinha ninguém. A porta da casa do meu Pai estava fechada. Sentei na escada e chorei desoladamente. Eu não tinha mais ninguém.

Maria da minha infância



Eu era pequeno, nem me lembro
Só lembro que à noite, ao pé da cama
Juntava as mãozinhas e rezava apressado
Mas rezava como alguém que ama
Nas Ave - Marias que eu rezava
Eu sempre engolia umas palavras
E muito cansado acabava dormindo
Mas dormia como quem amava

Ave - Maria, Mãe de Jesus
O tempo passa, não volta mais
Tenho saudade daquele tempo
Que eu te chamava de minha mãe
Ave - Maria, Mãe de Jesus
Ave - Maria, Mãe de Jesus

Depois fui crescendo, eu me lembro
E fui esquecendo nossa amizade
Chegava lá em casa chateado e cansado
De rezar não tinha nem vontade
Andei duvidando, eu me lembro
Das coisas mais puras que me ensinaram
Perdi o costume da criança inocente
Minhas mãos quase não se ajuntavam

O teu amor cresce com a gente
A mãe nunca esquece o filho ausente
Eu chego lá em casa chateado e cansado
Mas eu rezo como antigamente
Nas Ave - Marias que hoje eu rezo
Esqueço as palavras e adormeço
E embora cansado, sem rezar como eu devo
Eu de Ti Maria, não me esqueço. (padre Zezinho)

Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

Yanni: Before The Night Ends

Eu não poderia deixar de registrar aqui a belíssima “Before The Night Ends”, que o meu amado Yanni compôs para sua mãe, Felitsa Chryssomalis, falecida há dois anos, após um ataque cardíaco.
Quem não se lembra da simpática senhora, sempre sorridente, acompanhando o filho nos shows? Na juventude, Felitsa era cantora lírica e pianista, apresentava-se na rádio local, (em Kalamata/Grécia) mas teve a carreira interrompida, logo no início, por causa da guerra. Foi ela que ensinou música aos três filhos, que cantavam no coral da igreja católica otodoxa, quando crianças. Depois de adultos, somente Yanni continuou na música, o primogênito Yorgo e a caçula Anka seguiram outras profissões.
Esse clip é de uma emoção indescritível. A voz melodiosa de Leslie Mills, o piano sentido de Yanni e as imagens da família na Grécia, combinação perfeita.
São fortes as cenas do patriarca Sotiris passeando com o filho pelas oliveiras, e de Felitsa cozinhando na intimidade do lar (a mussaká dela é famosa).
E por fim, Sotiris (que é artista plástico) pintando o retrato da esposa quando jovem. Quase sempre me faltam palavras diante de grandes emoções. Deixo aqui o clip e a letra traduzida de “Before the night ends”.

Antes que a noite termine

Eu fecho os olhos
Para ver o mundo
Eu fecho os olhos
Então, não vai doer
Estou velejando no azul do oceano
Voando para você

Eu recupero o fôlego
Sob a lua cheia
Uma estrela que brilha
Então, prazer em conhecê-lo
Talvez eu sempre sonhasse
Que queria o amor aqui

Antes da noite terminar
Querida o novo dia amanhece
Como eu espero
Como eu espero
Sair deste infindável azul
De alguma maneira eu vou encontrar-te
Antes da noite terminar
Antes da noite terminar

Mais do que algumas vezes,
eu escolhi percorrer a pé uma estrada tortuosa
Mas eu quero ir para longe
Eu quero ir para o amor

Antes da noite terminar
Querida o novo dia amanhece
Como eu espero
Como eu espero
Sair deste infindável azul
De alguma maneira eu vou encontrar-te
Antes da noite terminar
Antes da noite terminar

Feche os olhos
Nunca vou deixá-la

Antes da noite terminar
Espero encontrá-la

Sábado, Janeiro 10, 2009

A vida não para... Será que temos tempo a perder?

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



(Paciência/Lenine)

Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

Change: É tempo de mudança...

“Ainda procuro mover as pessoas emocionalmente e tocar seus corações. Minha música não é complexa ou lógica. É sobre emoção e comunicação. Acho que esse é o sentido da vida, o sentido de ser um artista é a comunicação e, se podemos tocar almas e corações, modificar estados de espírito, mover pessoas, afetá-las, fazê-las se sentirem melhores, este é o sentido da vida de um compositor.”
As palavras acima são do maestro grego Yanni Chryssomallis, um dos meus preferidos, em entrevista publicada no site www.soniachinaglia.com.br
Yanni ficou conhecido mundialmente por apresentar grandes concertos em locais históricos como a Acrópolis, na Grécia; no pátio do Taj Mahal, na Índia e na Cidade Proibida, na China. Ele ganhou a atenção do mundo com sua música universal, misturando clássico, jazz , rock e percussão latina, numa explosão de sonoridade instrumental. O resultado sempre foi um bálsamo para os meus ouvidos.
Mas “meu amado” Yanni também mudou de estilo, após viver um inferno astral na sua vida particular. Há cerca de dois anos, ele teve seu fundo de poço com a prisão, acusado de violência doméstica, após bater na namorada (uma bailarina brasileira, com quem viveu um estrondoso “affair”). Dois meses depois, sua mãe, Felitsa, morreu de ataque cardíaco.
Com isso, Yanni, que é budista, se recolheu na sua terra natal, Kalamata, na Grécia, e ressurgiu um ano depois, muito melhor, se bem que já era excelente!
Agora sem bigode e de cabelos curtos, o grego está compondo músicas com letras. Até se arriscou a compor em espanhol e italiano, e contratou quatro cantores incríveis, dentre eles o brasileiro Nathan Pacheco.
O novo show em pouco lembra os anteriores. Carregado de paixão, “Voices” traz até os cantores Chloe e Ender Thomas dançando e cantando um tango estilizado. E Chloe esbanja sensualidade nas suas coreografias, bem como no figurino...(Uau!!!, será ela a musa da vez????)
E é a belíssima música “Change” , na voz deliciosa de Chloe, que registro aqui no meu cantinho. É sempre bom ter em mente que as mudanças, quase sempre doloridas, são fundamentais para nosso crescimento. Que 2009 seja um ano de mudanças para muito melhor. Amém!

Change

How could I ever know
I would find myself alone
Facing your daemons as well as mine
Wishing for the past that words cannot find.

But somewhere in the night
The music in my mind comes alive
I hear love's haunting lullaby.
And it sings of a time we once knew
A time when all I could breathe was you
But seasons never remain the perfect shade
Our love's not the same so we must
Change...change...change

How could I ever know
That with time you would go
Leaving me to find what
Was missing in between our lives

But somewhere in the night
The music in my mind comes alive
I hear love's haunting lullaby
And it sings of a time we once knew
A time when all I could breathe was you
But seasons never remain the perfect shade
Our love's not the same so we must
Change...

Once we had summer in the fall
Now my heart knows what it's like
To lose it all...

Domingo, Janeiro 04, 2009

Hoje só quero ser backing vocal da Janis Joplin

Hoje amanheci com vontade de cantar com Janis Joplin. E cantar bem alto. Que se danem os ouvidos dos vizinhos! Que se dane o mundo! Hoje é meu dia de ser backing vocal da doidona. É dia de soltar o grito preso na garganta e exorcisar os demônios interiores.
Come on! Come on! Come on!
E logo me lembro das animadíssimas festas do Centro Acadêmico de Jornalismo da UFG, há quase duas décadas (passou rápido! Os meninos estão carecas e barrigudos e as meninas mais bonitas... rssssss). CA de Jornalismo, também conhecido como Centro Alcóolico, era o habitat natural da minha turma (1990). Por ali sempre tinha garrafões de vinho da pior qualidade (os mais baratos, pois ninguém tinha dinheiro rsss). Não sou alcóolatra, nunca fui, e nem serei, mas nunca dispensei a bebida de Baco...
No intervalo das aulas (e também durante as mais chatas...), a turminha corria pro CA. A colega Regina (que continua magrinha e casada com o Cláudio após tantos anos) era viciada em Janis Joplin. Regininha só sabia tocar e cantar o repertório da Janis, assim como o Fifi (leia-se Rodrigo) só cantava e tocava bossa-nova; já a Sarah só gostava de pular ao som do recém inventado axé, da então iniciante Daniela Mercury... E eu, depois do terceiro ou quarto copo, gosto de qualquer coisa! rssss

Embalados pelo vinho barato e pelo violão "jopliniano" da Regina, soltávamos as vozes que ecoavam pelo Campus...
Todo mundo era "backing vocal". Nos olhos, cada um carregava a incerteza do futuro. Éramos tão novinhos e destemidos...
Como Goiás é pequeno e os meios de comunicação são poucos, depois de formados, continuamos sendo colegas de trabalho.
Com o tempo, cada um traçou sua própria personalidade profissional. Alguns optaram pela falta de ética, pelo puxa-saquismo e pela desonra (esses estão ricos...). Melhores amigos romperam a amizade, num caminho sem volta de mágoa, intrigas e puxação de tapete... Uns já foram pro "andar de cima", precocemente. Outros poucos continuam amigos e/ou fiéis às suas convicções éticas.
Por fim, nem sei porque lembrei disso.
Meu coração está destroçado por outro motivo. Não quero pensar em mais nada e em ninguém.
Hoje só quero ser backing vocal da Janis Joplin.


Oh, come on, come on, come on, come on!

Didn't I make you feel like you were the only man —yeah!
Didn't I give you nearly everything that a woman possibly can ?
Honey, you know I did!
And each time I tell myself that I, well I think I've had enough,
But I'm gonna show you, baby, that a woman can be tough.

I want you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
Oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart now, darling, yeah, yeah,yeah.
Oh, oh, have a!
Have another little piece of my heart now, baby,
You know you got it if it makes you feel good,
Oh, yes indeed.

You're out on the streets looking good,
And baby deep down in your heart I guess you know that it ain't right,
Never, never, never, never, never, never hear me when I cry at night,
Babe, I cry all the time!
And each time I tell myself that I, well I can't stand the pain,
But when you hold me in your arms, I'll sing it once again.

I'll say come on, come on, come on, come on and take it!
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby.
Oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart now, darling, yeah,
Oh, oh, have a!
Have another little piece of my heart now, baby,
You know you got it, child, if it makes you feel good.

I need you to come on, come on, come on, come on and take it,
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby!
oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart, now darling, yeah, c'monnow.
oh, oh, have a
Have another little piece of my heart now, baby.
You know you got it —whoahhhhh!!

Quinta-feira, Janeiro 01, 2009

Fragmento




Registro aqui um fragmento do trabalho do polêmico (e bota polêmico nisso!!!!) jornalista português (do Porto) Miguel Sousa Tavares.
Que Miguel Tavares me perdoe, mas tomo a liberdade de deixar, aqui no meu humilde espaço, trechos de um dos seus textos, que mais gosto, que pode ser encontrado, na íntegra, no livro "Não te deixarei morrer David Crockett", editora Oficina do Livro/2004. Ele escreveu esse texto em homenagem à mãe, a grande poetisa portuguesa Sophia Mello Breyner Andresen, já falecida.


(...)Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.

E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu pra sempre." (Miguel Sousa Tavares)

Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

A janela da vida


A vida toda é feita de momentos,
de alegria, ou de lamentos...
Para estes, fechamos a janela do pensamento...
Para aqueles, que lembram felicidade,
e que sempre deixam saudade
quando se vão,
abrimos a janela de nossa emoção...
Há que viver com intensidade,
os que alegram o coração...
Os tristes momentos,
que causaram padecimentos,
esquecidos devem ser...
Saibamos usar a janela de nossas lembranças...
Para quê lembrá-los...
Para quê vivenciá-los?
Janela fechada sobre eles.
Os momentos de alegria,
que nos deixaram felizes um dia,
devem ocupar nossa memória...
Janela aberta para estes...
O resto é só história... Ou estória...
Momentos... Doces momentos...
Momentos... Tristes momentos...
Quais a serem lembrados?
Quais a serem olvidados?
A janela das nossas lembranças...
Quando fechá-la?
Quando abri-la?

Marcial Salaverry

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

CHEGAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!


Finalmente criei coragem de aceitar, e assumir, uma realidade que não tem volta: meu casamento com o jornalismo chegou ao fim, após 18 anos. Como todo fim de um relacionamento tão longo, esse rompimento me causa uma dor profunda, pois sou uma pessoa intensa e apaixonada. Foram quase duas décadas de entrega e fidelidade. Essa profissão me proporcionou experiências que nenhuma outra teria me dado. Vivi emoções indescritíveis. Conheci pessoas que jamais poderia ter sequer "chegado perto", se não fosse pelo trabalho.
Viajei por lugares incríveis e outros nem tanto. Tomei café em xícaras de ouro, em belos palácios; e com a mesma satisfação, bebi água em latinha de massa de tomate, em favelas. Ouvi e contei histórias de freiras e prostitutas; de reis e mendigos; de homens de bem, e de políticos corruptos; de intelectuais burros, e de analfabetos sábios; de mulheres bem sucedidas e amarguradas, e de donas de casa humildes e felizes; e por aí afora. Fiz reportagens de repercussão internacional, tive trabalhos indicados para prêmios, recebi homenagens.
Ganhei algum dinheiro que usei para ajudar pessoas necessitadas e comunidades muito pobres, e também gastei em viagens pelo Brasil adentro, e com cursos "aparentemente inúteis", mas que me fizeram bem, como tapeçaria, bordado em ponto cruz, dança, arranjos de flores, e bom-bons de chocolate rsssssssss

Enfim, fui super dedicada e sempre fiel às minhas convicções éticas e ideológicas. Porém, estas mesmas convicções fizeram com que eu me machucasse demais nos espinhos dessa profissão maldita e fascinante. Não dá mais! Acabou o tesão, e sem tesão não há solução.
Para ganhar o pão não é preciso perder a dignidade. Não tenho vocação pra ser puxa-saco de políticos e de doutorzinhos "de merda", e já que os meios de comunicação não permitem que a verdade seja dita... então é hora de assinar o divórcio. Um rompimento dolorido e sem volta.
Sobreviverei, como sobrevivi aos divórcios anteriores...
Tenho aproveitado para repensar minha vida e traçar novos rumos. A mudança tem que ser radical...

BASTAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!

CHEGAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!

Tudo nesse mundo tem limite, até a minha paciência!

Quinta-feira, Novembro 27, 2008

Lição de vida


"Há alguns anos, nas olimpíadas de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental,alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o seu melhor de si,terminar a corrida e ganhar. Um dos rapazes tropeçou e caiu, começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. diminuiram o passo e olharam para trás. Então todos eles viraram e voltaram. Uma das meninas com síndrome de down ajoelhou, deu um beijo no rapaz e disse: Pronto, vai sarar! E todos os noves competidores deram os braços e andaram juntos até a linha da chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos...

Talvez os atletas fossem deficientes mentais mas, com certeza, não eram deficientes espirituais.

O que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos..."

Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Chico Buarque e Gilberto Gil - Cálice censurado

Um trecho do show PHONO 73 realizado no Anhembi, em São Paulo. A música Cálice foi considerada subversiva pelos orgãos da ditadura militar, por isso mesmo sendo cantada com a letra modificada, o microfone do Chico Buarque foi desligado.

Não se iludam: no Brasil, a censura continua, de outras formas, mas continua.

Chega de me calar

Até quando terei que me calar diante das injustiças cometidas pelo Judiciário?
Até quando a Justiça será cega?
Até quando terei que me calar vendo os doutores que usam a imprensa para se promoverem, como "defensores do povo e do Estado", armando suas tretas trancados nos seus gabinetes?
Como já disse o grande poeta mineiro Rodrigo Leste:

"Nos bares, eles são marxistas;
na vida pública, democratas,
na cama, machistas;
e nos gabinetes, fascistas"

E completo com Gil:
"Pai, afasta de mim esse cale-se,
de vinho tinto de sangue.
Como beber dessa bebida amarga?"...

Que país é esse?

Que país é esse, que abandona suas crianças na rua?
Que país é esse, em que seres humanos morrem de fome e de frio nas calçadas?
Que país é esse, que bandidos comem lagosta e bebem uísque nos presídios, enquanto assistem TV a cabo e comandam o crime pelos celulares?
Que país é esse, onde crianças se prostituem por um prato de comida?
Que país é esse, onde corruptos se elegem comprando votos?
Que país é esse, onde dinheiro sujo é carregado dentro da cueca?
Que país é esse, onde grandes fazendeiros escravizam mão-de-obra?
Que país é esse, que pessoas morrem nos corredores dos hospitais, sem conseguir atendimento médico?
Que país é esse, que é governado pelo crime organizado?
Que país é esse, onde jovens não têm sonhos e desperdiçam a vida no mundo das drogas?
Que país é esse, onde a miséria é considerada “normal”?
Que país é esse que maltrata seu povo?
Que país é esse?
É um país com “p” minúsculo. Não é o país que eu quero pra mim. Mas como consertá-lo? Essa é minha grande angústia... Acho que não tem conserto. Contra fatos não há argumentos...

Terça-feira, Outubro 07, 2008

Aviso aos navegantes: nem toda brasileira é puta



Caros amigos, me perdoem pela rudeza, mas cansei da imagem do Brasil na Europa. Semana passada, um português me perguntou se é verdade que toda brasileira é quente na cama!
O tom desrespeitoso desse senhor me levou a redigir esse desabafo:
Infelizmente, aqui tem corrupção, prostituição e muita falta de vergonha na cara.
E sei que brasileiros que vão para a Europa só reforçam a imagem negativa do país.
MAS, PELO AMOR DE DEUS, o Brasil tem 150 milhões de habitantes, é um gigante, e neste universo de podridão ainda se encontram pessoas decentes, honestas e cultas.
Os honestos são minoria, essa é uma verdade, mas existem!
E assim o é com as belas brasileiras.
Infelizmente a mulher-objeto é maioria, mas esse não é um privilégio do Brasil... É um fenômeno mundial.
A mulher lutou muito pela sua independência financeira, pelo direito de votar e de cursar universidades, porém hoje vemos as novas gerações "tramando mil tretas" para se darem bem apenas "abrindo as pernas". E não são só as brasileiras.
Os homens por sua vez, querem belas mulheres somente para exibirem para os amigos, como se tivessem conquistado um "troféu" pela sua macheza. Aliás, a virilidade deste tipo de homem se resume na quantidade de dígitos na conta bancária.
Como bem o disse meu ídolo Rui Barbosa:
TENHO VERGONHA DE SER HONESTA!
Quem me conhece sabe que sou uma pessoa muito sincera, principalmente com a minha consciência.
Tenho sangue lusitano e africano nas veias. E é com toda sinceridade do mundo que peço aos amigos portugueses que não generalizem as brasileiras.
Nem toda brasileira é puta e nem toda brasileira é só bunda. Além das "loiras-burras", aqui também temos profissionais que se destacam em todas as áreas. São mulheres que estudam, que constroem uma carreira, zelam pelo nome da família e que jamais aceitariam um só centavo de homem algum, pois elas têm capacidade de ganhar o próprio dinheiro lutando honestamente.
Só que estas não são encontradas nos prostíbulos, nem procurando macho em sites de sexo virtual, e muito menos vendendo o corpo nas praias e ruas.
As honestas existem e são encontradas nos seus respectivos círculos sociais e profissionais. São admiradas pela inteligência, pela postura profissional, pelo caráter e pela elegância que lhes é natural. Ah,existem mulheres inteligentes que são bonitas, beleza física não é privilégio só das burras.
Estou com 41 anos de idade. Hoje me olhei no espelho e senti vergonha de ainda acreditar em valores e sentimentos. Tive vergonha da minha aparente ingenuidade. Mas não vou mudar. Prefiro a morte a descer para a lama.
Gosto de conversar olhando no fundo dos olhos das pessoas. E a grande vantagem de ser "decente" é poder olhar nos olhos de qualquer pessoa, de cabeça erguida, e ser respeitada. Isso não tem preço.
Aviso aos navegantes: o homem que quer encontrar mulheres inteligentes e honestas não deve procurar em prostíbulos reais ou virtuais.
Cada um encontra o que procura.
Pelo amor de Deus, criem vergonha na cara e saibam separar o joio do trigo antes de generalizar toda uma nação!



Maria José Sá
Goiânia - Goiás - Brasil

Domingo, Outubro 05, 2008

Terry Callier: a voz da alma

Essa dispensa comentários! Vai fundo na alma... Interpretação linda demais de Terry Callier. Bravíssimo!

Sexta-feira, Outubro 03, 2008

O preço do idealismo


Souad Massi é uma cantora Algeriana, que foi expulsa do seu país após criticar os horrores do Talibã, numa entrevista para uma TV francesa. Há oito anos ela vive em Paris e sofre ameaças de grupos extremistas.
Ela canta em árabe e francês as dores do seu povo tão oprimido e massacrado pelo terrorismo.
Suas músicas, a maioria de sua autoria, falam da angústia de um povo que sonha com liberdade e democracia.
Essa cantora linda e jovem traz na garganta o grito dos oprimidos. Sua voz é pura emoção, sou a fã nº 1 e não há um só dia em que eu não ouça pelo menos uma de suas canções.
Souad é corajosa e sabe que as ameaças de morte que recebe não são de brincadeira. Mesmo assim não se cala. Sempre que tem oportunidade, ela critica a obrigatoriedade do uso da burka, entre outros absurdos.
Ela paga um preço muito alto por denunciar a barbárie instalada no Oriente Médio.
Seu trabalho é fantástico. A voz dela vai no fundo do meu coração.

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Sinto vergonha de mim - belíssimo poema de Cleide Canton



Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

*********Da poetisa brasileira Cleide Canton, em resposta ao genial Rui Barbosa:


” De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto “.
Rui Barbosa

Terça-feira, Setembro 02, 2008

Café filosófico com Dr Edilson Mougenot Bonfim


Dr Edilson Mougenot Bonfim, titular do I Tribunal do Júri de São Paulo, é um dos mais brilhantes tribunos brasileiros da atualidade. Professor de Direito Penal, Processual Penal e Filosofia do Direito, é também coordenador do curso preparatório de concursos jurídicos da Via Saraiva. É um profissional digno, honesto, professor que sabe despertar os alunos para o lado humano do Direito. Amigo muito querido.


A seguir, a triologia "Café Filosófico". Na verdade, três vídeos-aula sobre Filosofia do Direito. Textos do professor Edilson Bonfim e edição minha. Mesmo quem não é do ramo do Direito pode gostar dos textos e compreendê-los facilmente.

Segunda-feira, Setembro 01, 2008

Café filosófico III - Penalistas que me inspiram

Cafe filosófico II - Filosofia do direito - filósofos brasileiros e espanhóis

Café filosófico I - Filosofia do direito - Filósofos alemães

Domingo, Agosto 24, 2008

Ahhhhhhh......

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Sexta-feira, Agosto 15, 2008

A arte de Yolanda Botelho - Porto/PT

Além de artista talentosa, Yolanda Botelho é um ser humano maravilhoso. Sou feliz por tê-la como amiga. Ela mora na cidade de Porto/Portugal.

Quinta-feira, Maio 08, 2008

O Profeta do Hi5

“Querida R. recebi aquele pequeno texto e devo dizer-te que não tens culpa de nada. Apenas não tenho andado muito bem, ando a tratar uma depressão e por esse motivo não tenho lá grande disposição para estar aqui. A R. foi das mulheres com mais personalidade e saber estar que encontrei neste imenso hi5, Carácter incontornável e de uma sedução para tua idade que me tira do sério do sério e balança comigo até.É um caso muito especial de amizade que começa a tomar contornos mais sérios, na medida que quase me apaixono por voce. Me deixa recuperar um pouco a saúde e cá estarei de novo com poesias e textos que sei gosta”

Olhar sonhador de adolescente à espera do príncipe encantado, semblante tranqüilo. Realmente R.S. é uma mulher fascinante. Aos 54 anos de idade, esta brasileira ainda conserva o ar romântico, mesmo já tendo sofrido desilusões.
As marcas do sofrimento não conseguiram amargurar a doce auxiliar de enfermagem. É através da sua rede de amigos no Hi5 que esta mulher simples se conecta com o mundo. Diariamente, ela envia mensagens de carinho, amor e sabedoria, além de figuras carregadas de pieguismo, para todos os seus amigos e amigas. É assim que ela se livra da solidão.
Os dias frios do sul do país ganharam colorido e sabor quando R.S. conheceu “O Profeta do Hi5”. Sempre carinhoso aos extremos, ele a despertou. Todos os dias, ao abrir sua página, R.S. se depara com poemas de forte apelo romântico e sensual, alguns até eróticos, e na despedida, a marca do sedutor: “beijinhos doces querida”.
Os beijinhos doces do Profeta imediatamente cativaram a mulher. E no msn foi alinhavado o relacionamento virtual. O que para o Profeta é apenas uma brincadeira, para a cinqüentenária poderia ser a esperança de um recomeço. Talvez um dia ele atravessasse o Atlântico e viesse realizar o sonho dela... E esta esperança, alicerçada nas mentiras do Profeta, coloria os dias da doce mulher.



“Pelas suas fotos vejo que é uma mulher com um fascínio muito especial,de uma beleza tão suave que me apaixonou os sentidos.Aquele vestido faz de si,por momentos,uma rainha,ofuscando todo mundo com o seu brilho.Parabéns querida. Também gostaria tanto de conhecer voce pessoalmente! mas o oceano nos está separando! senão que até podíamos ficar noite inteira falando de filosofia e lendo poesia. Me faculte seu email para falarmos um pouco se isso for a sua vontade. Beijos doces querida"

Apesar da pose elegante, a moça do vestido vermelho não consegue esconder uma mistura de sofrimento e agressividade no seu olhar. Rê tem 38 anos e é secretária de um curso de línguas, no interior de São Paulo. Recém- divorciada, com dois filhos pequenos, ferida, ela encontrou consolo nos beijinhos doces do Profeta.
Recém-saída de um casamento infeliz, Rê viu no Profeta o homem ideal. Compreensivo, amigo, carinhoso, conselheiro, o oposto do ex-marido, assim era o novo amor de Rê. E ela se apaixonou perdidamente, chegando a acreditar que tinha importância na vida do seu “Guru”. Quando avisada de que o Profeta é uma farsa, a moça do vestido vermelho preferiu continuar acreditando nas mentiras dele a ter que encarar mais uma decepção...


Alta madrugada fria no Porto. E a esposa do Profeta acorda com seus gritos. Já se passaram 35 anos e o ex-guerrilheiro português ainda sofre com os horrores da guerra de Angola. Lembranças de corpos estilhaçados, o barulho ensurdecedor dos tiros, o cheiro de pólvora misturado com cheiro de sangue e de queimaduras; amigos e inimigos caindo mortos. O cenário dantesco da guerra sempre o atormentou.
Escravizado pela rotina do serviço público e pelo casamento de três décadas, o ex-guerrilheiro se refugia nos livros de Filosofia, Literatura e Sociologia, suas paixões. Mas é no ciclismo que descarrega sua adrenalina. Consegue pedalar por horas, em alta velocidade, e já ganhou diversas disputas de ciclismo profissional. Este é o famoso Profeta do Hi5.
O Profeta não consegue se libertar das dores do passado e das amarras do presente, o que talvez explique a fixação pelo tempo. Sua coleção de relógios de pulso já tem centenas de exemplares, alguns caríssimos e raríssimos. Apaixonado pelo espírito livre dos felinos e dos seus ancestrais ciganos, o ex-guerrilheiro sonha com a própria liberdade, que nunca conheceu.
Quatro anos na África moldaram um homem depressivo, mas ao mesmo tempo vaidoso e sedutor.
Ar de intelectual, “cara de filósofo”, arguto, culto, este é o Profeta do Hi5, estereótipo condizente com a imagem que construiu. Figura contraditória, se diz budista mas se diverte iludindo mulheres carentes. Diz que "apenas alimenta a auto-estima delas". Assim como suas namoradas virtuais, ele também precisa do Hi5 para viver. É nesta imensa rede de amigos e namoros virtuais que o ex-guerrilheiro sente-se livre para ser quem ele às vezes chega a acreditar que é.

Terça-feira, Maio 06, 2008

Ao mestre, com carinho

Aqueles dias de estudante se foram
Mas, em minha mente,
Sei que sempre sobreviverão.
Como agradecer alguém
Que me fez "crescer como gente"?
Não é fácil, mas vou tentar.
Se você quisesse o céu,
Eu escreveria nele com as estrelas
A mil pés de altura:
Ao mestre, com carinho.

Chegou a hora de fechar os livros ...
enquanto longos e últimos olhares permanecem
E enquanto eu viver,
Saberei que estou deixando meu melhor amigo
Um amigo, que me mostrou o certo e o errado,
O fraco e o forte
Isso é tão difícil de aprender...
O quê? o quê posso eu lhe dar em troca ?
Se você quisesse a lua
Eu tentaria levar também as estrelas
Mas eu lhe dou estas palavras sinceras, com toda segurança do meu coração:
Ao mestre, com carinho

* Dr. Vasco, eu sei que um dia a gente vai se encontrar...

Réquiem para um amigo



Sonho que estou conversando com meu meu grande amigo, o dr. Vasco Martins Cardoso, na sua sala do laboratório de Patologia Humana, no Hospital do Câncer. Acordo num sobressalto, olho no relógio, é uma hora da manhã e faz muito frio. Não consigo mais dormir. Hoje vou à missa, e vou oferecê-la para a alma dele.
Dr. Vasco se foi no natal de 2005, após sofrer por três anos com o Mal de Alzheimer, diagnosticado por ele mesmo. Foi muito dolorido assistir meu mestre se definhando aos poucos, até não restar mais nada.
Antes de estudar Jornalismo, eu cursei Ciências Biomédicas, na Universidade Católica de Goiás, onde fui aluna do famoso dr. Vasco em duas disciplinas: Citologia e Patologia Humana.
No segundo semestre do curso, fui trabalhar no Hospital do Câncer e lá fiquei por quatro anos, trabalhando com meu mestre, que se tornou meu grande amigo e conselheiro. Como estudava demais e trabalhava demais, tive intoxicação provocada pelos produtos químicos utilizados no laboratório, quase morri, e o médico me proibiu de continuar na área de saúde. Foi aí que optei pelo Jornalismo e comecei tudo de novo, mas isso é outra história...
A seguir, relato um pouco da minha convivência com o grande médico patologista Vasco Martins Cardoso, uma lenda na medicina brasileira, que deixou muita saudade.

Réquiem para um amigo I - "Vê mais longe a gaivota que voa mais alto"




“Na superfície do azul brilhante do céu, tentando a custo manter as asas numa dolorosa curva, Fernão Capelo Gaivota levanta o bico a trinta metros de altura. E voa. Voar é muito importante, tão ou mais importante que viver, que comer, pelo menos para Fernão, uma gaivota que pensa e sente o sabor do infinito.
É verdade que é caro pensar diferentemente do resto do bando, passar dias inteiros só voando, só aprendendo a voar, longe do comum dos mortais, estes que se contentam com o que são, na pobreza das limitações. Para Fernão é diferente, evoluir é necessário, a vida é o desconhecido e o desconhecível. Afinal uma gaivota que se preza tem de viver o brilho das estrelas, analisar de perto o paraíso, respirar ares mais leves e mais afáveis. Viver é conquistar, não limitar o ilimitável. Sempre haverá o que aprender. Sempre.” (BACH, Richard; Fernão Capelo Gaivota)


Após um semestre inteiro estudando matérias de Humanidades, como Filosofia e Teologia, finalmente eu estudaria Citologia, a primeira matéria técnica do curso de Ciências Biomédicas, da Universidade Católica de Goiás - UCG. A expectativa era grande, primeiro pela paixão pelo mundo da Biologia Molecular, segundo pela curiosidade em conhecer o famoso professor Vasco Martins Cardoso.
Idolatrado por uns e temido por outros, o professor Vasco era um mito entre os acadêmicos de Biomedicina da UCG. Por mais de duas décadas, ele foi patrono de todas as turmas de formandos do curso. Pelos corredores da Faculdade corria a notícia de que ele só dava duas notas: dez ou zero, e o detalhe de que todas as provas eram orais contribuía para assustar ainda mais os calouros.
Acostumada com a informalidade dos professores da área de Ciências Humanas, tive um impacto quando o famoso médico entrou na sala de aula. Ele trajava a farda de coronel da Polícia Militar, era formal e tinha aparência impecável: semblante sério, postura elegante e perfume discreto. Eu tinha acabado de completar 18 anos e, naquele instante, senti que a adolescência se findava com a entrada para o mundo profissional.
Ansiosa por começar a desvendar os mistérios do mundo da ciência, outra surpresa: primeiramente o professor Vasco nos mandou ler “O maior vendedor do mundo”, de Og Mandino, e “Fernão Capelo Gaivota”, de Richard Bach. Nossa primeira aula de Citologia foi uma lição de vida. Nesta época, ainda não se conhecia o conceito de “Inteligência Emocional” e palestras e livros de auto-ajuda ainda não tinham dominado o mercado.
Lembranças
Passaram-se exatos vinte anos e, para redigir esse artigo, reli os livros indicados pelo mestre, já amarelados pelo tempo. Concluo que, se tivesse seguido os sábios conselhos desde o primeiro dia de aula, teria evitado muito sofrimento. Mas como o próprio dr. Vasco me dizia, naquela época, meu maior defeito era “a rebeldia da juventude”...
Estudar e trabalhar
Fernão Capelo era uma gaivota que queria voar alto, conseqüentemente, foi banido pelo grupo que não aceitava quem tentava fugir da mediocridade. É a história de um vencedor, aquele que venceu a dor, como o próprio Vasco. Logo no primeiro dia de aula, ele esclareceu que o mundo profissional é altamente competitivo e apenas os fortes vencem. “E não há outra saída: quem quer vencer tem que estudar e trabalhar, até o fim da vida.” E foi isto que ele fez a vida toda: trabalhou e estudou.
Assim como Fernão Capelo Gaivota, Vasco Martins Cardoso também semeou bons frutos: formou várias gerações de profissionais éticos, conscientes, atuantes e estudiosos. É claro que nem todos conseguiram vencer. Apenas os que seguiram os conselhos do mestre e aplicaram na vida os conhecimentos adquiridos com as duas primeiras leituras obrigatórias para a disciplina de Citologia, que era um ritual de passagem para a vida profissional.

Réquiem para um amigo II - "Orientai-me meu Senhor, mostrai-me o caminho"


“Viverei hoje como se fosse o meu último dia. Como esse dia é muito precioso, tamparei seu conteúdo de vida para que nenhuma gota se derrame na areia.
Não desperdiçarei um só segundo pensando no passado nem tampouco no futuro porque não posso transportá-los para o meu dia de hoje. Este dia é tudo o que eu tenho e estas horas são agora a minha eternidade.
Este dia é uma outra oportunidade para que eu me torne a pessoa que poderei ser. Este será o meu dia de vencer! Não o desperdiçarei com sentimentos negativos: a dúvida, enterrarei sob a fé; o medo, derrotarei com confiança.
Viverei hoje como se fosse meu último dia. E se for, será meu maior monumento. Farei deste o melhor dia de minha vida. E, se não for, cairei de joelhos e agradecerei aos céus.” (MANDINO, Og; O maior vendedor do mundo – 5º pergaminho)


O segundo livro indicado pelo professor Vasco, “O maior vendedor do mundo”, trazia o restante da receita do sucesso: humildade, caridade, otimismo, coração limpo, discrição, força interior e fé em Deus.
Após duas aulas de conduta profissional, ética e perseverança, finalmente começamos a jornada pelo maravilhoso universo da Biologia Molecular. Seguro e tranqüilo, o professor nos apresentou a beleza do mundo microscópico.
Cada aula era um show de conhecimento, uma novidade, mas também tinha um fundinho de tortura: durante as práticas no laboratório, enquanto manuseávamos o microscópio, o professor aproveitava para examinar nossas unhas, cabelos, pele e roupas. Se algum aluno ou aluna fosse flagrado com as unhas sujas e grandes, pele mal cuidada, cabelos desalinhados, ou roupas inadequadas e jalecos encardidos ou amassados, vinha um sermão interminável sobre a apresentação pessoal de um profissional da área de saúde... Ele também nos lembrava constantemente de que, “fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Portanto, não podíamos ser desleixados.”
No decorrer de todas as aulas, ele falava um número qualquer e, ao conferir o nome na lista de chamada, o aluno “sorteado” era sabatinado sobre o assunto da aula anterior, se respondesse corretamente, ganhava nota dez; caso não soubesse, ou a resposta fosse incompleta, ou até mesmo se demorasse pensando, a nota era zero. Essas provas orais aconteciam todas as aulas. Ninguém escapava, mas quem tirava zero tinha oportunidade de tirar dez nas provas seguintes. Para se recuperar, bastava estudar.
Hierarquia militar
No sexto período, o professor Vasco lecionava Patologia. Uma matéria deliciosa, apesar da constante tensão dos alunos com as provas orais. Ainda me lembro das comparações com a hierarquia militar: “O monócito é o comando geral, é a célula grande que dá a ordem. Os linfócitos são os soldados de infantaria, aqueles que vão para a frente de batalha para enfrentar o inimigo, corpo-a-corpo.” Cada aula era um show, ricamente ilustrado com slides, e prendia completamente a atenção da turma.
Ainda no segundo período da Faculdade, tive o privilégio de ir trabalhar no Hospital Araújo Jorge da Associação de Combate ao Câncer em Goiás e, posteriormente, no Laboratório CAPC, à época propriedade do dr. Vasco e mais três médicos anátomo-patologistas. Ao todo, foram cinco anos de convivência diária, que se transformaram em uma amizade transparente, sincera, profunda. Nos momentos difíceis, dividíamos nossas angústias. Aos poucos, eu ia moldando minha identidade profissional, principalmente com os “puxões de orelha” necessários. Carinhosamente, ele me chamava de “Soldado MJ” e eu batia continência.
O professor realmente praticava os ensinamentos que nos passava, porém no ambiente de trabalho era informal, simpático, uma pessoa leve, que pagava pão-de-queijo para todo mundo e lanchava com os funcionários.
Curiosos, os colegas de faculdade sempre me perguntavam como era o temido professor fora da sala de aula. Muitos não acreditavam quando eu contava que ele era brincalhão, às vezes fazia trapalhadas e ria de si mesmo.
"Garantia"
Ao final do expediente do CAPC, dr. Vasco sempre me dava carona até a Universidade. Certo dia, fomos lanchar numa recém-inaugurada lanchonete no setor Universitário e nos fartamos de pizza e suco de laranja. Na hora de pagar a conta, o chefe havia esquecido a carteira no laboratório (no setor Aeroporto), e eu só tinha vale-transporte. Sem graça, ele explicou a situação para o gerente, me deixou lá “como garantia” e foi buscar a carteira. Com o trânsito terrível, ele demorou mais de meia hora e eu já estava constrangida com os olhares de desconfiança do pessoal da lanchonete. Passado o vexame, demos boas gargalhadas.
Descobri que todas as provas eram orais somente porque o dr. Vasco trabalhava em vários lugares e não tinha tempo para corrigir provas escritas. Quanto ao rigor excessivo com os alunos, ele me respondia sorrindo: “tenho muitos defeitos, mas quero que meus alunos sejam perfeitos. Além do mais, se eu não for firme, sei que vocês não estudarão.”
Jornalismo
Quando optei por seguir a carreira de jornalista, além de enfrentar a fúria da minha família (que ainda não me perdoou pela escolha...), ainda tive que enfrentar o chefe. Numa cena inesquecível, dr. Vasco tirou o cinto e, me mostrando o cinto dobrado, em atitude ameaçadora, trancou a porta da sala e ficou mais de duas horas esbravejando, tentando me convencer a não entrar para o mundo do Jornalismo. Foi a única vez que ele se zangou comigo.
Mais de uma década depois, bastante ferida pelos espinhos do Jornalismo, fui desabafar com o meu melhor amigo, no Laboratório Imunolab. Ele não hesitou em ressaltar que tinha me avisado que, por ser muito sensível, eu não suportaria a pressão do mundo competitivo e desleal da Comunicação, que vive em função do jogo do poder.
Despedida
Após uma longa, sincera e dolorida conversa, ele me pediu que nunca parasse de estudar e trabalhar, e me lembrou de que para mim ainda havia tempo para uma nova mudança de rumos. Na ocasião, ele me explicou sua doença detalhadamente, me mostrou alguns exames que confirmavam quatro calcificações no cérebro, e disse que sabia que o tempo dele tinha se esgotado.
Nos despedimos com um abraço fraterno e, quando me virei para ir embora, ele ainda repetiu: “Não se esqueça: trabalhar e estudar, sempre. Além disso, o resto é ilusão”. Senti um aperto no coração, um mau presságio. E assim foi nosso último encontro. Eu não quis vê-lo na fase avançada da doença e nem fui ao funeral. Ele se foi no natal de 2005 e eu optei por guardar sua imagem cheio de vida.

* A foto acima foi tirada em 1988, de roupa branca, com 20 anos de idade, eu sequer imaginava que minha vida fosse tomar rumos tão diferentes. Na época, eu sonhava em me especializar em Imunohistoquímica ... Menos de dois anos depois, minha vida deu um giro de 180 graus, se pra melhor ou pior, não há como avaliar...

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Trajetória

Sobre o quê escrever? O tempo passava e a folha branca parecia cada vez maior, até que o velho jornalista desatou o nó da garganta e explodiu em lágrimas. Seu choro convulsivo, contido por quase um século, atravessou a noite e lavou sua alma. O dia amanhecia e João foi andar pela praia, onde deitou-se embaixo de uma árvore e adormeceu.
No sonho, veio a distante infância. Filho de diplomata, o menino teve o privilégio de morar e estudar em vários países, conhecendo assim, diversas culturas. A mãe era muito católica e sempre exigiu que o garoto estudasse em colégios religiosos e freqüentasse a igreja.
A família tinha muito dinheiro, mas era generosa e seguia os princípios cristãos, que nortearam os rumos do repórter durante parte da sua trajetória. Veio a guerra. O pai de João morreu em combate, a irmã de tuberculose, a mãe de desespero e o cachorro de tristeza. O mundo desabara.
Os padres adotaram o pobre órfão adolescente. Revoltado e idealista, o rapaz queria gritar contra as injustiças do mundo, exigia paz e dignidade para todos. Desde cedo, traçou seus rumos e decidiu que estudaria jornalismo para ser o porta-voz dos marginalizados.
Passados alguns anos, João trabalhava em um jornal alternativo e militava em um partido de esquerda. Sempre comprometido com a justiça, nosso herói viajou por vários países. Ele não freqüentava mais os palácios e nem tomava café em xícaras de ouro, como na infância. Optou por escrever a história do povo. Conheceu favelas, presídios, prostíbulos, réus, vítimas, bandidos e mocinhos. Tomava café em latinhas de massa de tomate e, junto com os padres ensinava as pessoas a lutarem pelos seus direitos.
A vida de João ficou mais leve quando ele encontrou Maria, a fiel companheira e melhor amiga. Foi essa bela moça de gestos simples que acendeu a chama do amor no coração do revolucionário.
Não demorou muito e os monstros de farda verde-oliva deflagraram outra guerra. João reviveu momentos de dor e desespero. Perdeu a companheira, o filho que estava para nascer e a identidade.
Depois de muitos anos, apareceu outra Maria, que trouxe o repórter de volta à vida e lhe deu um filho. Mais uma vez o coração ferido voltou a pulsar. A criança e a mulher amada lhe deram coragem para continuar. Mas a imprensa já não era a mesma.
O monstro verde-oliva tinha sido derrotado. Agora o monstro se vestia de verde-dólar. Mudou a tonalidade, mas o objetivo era o mesmo: destruir os adeptos do verde-esperança. Com mulher e filho para sustentar, João se conscientizou de que idealismo não enche barriga. Editor de um grande jornal, ele fazia malabarismos para manter a empresa. Aprendeu a jogar com o poder.

Muitos anos se passaram. Apesar de tudo, o velho jornalista ainda se indignava com as injustiças sociais. Entretanto, o que mais lhe atormentava era a falta de sonho dos jovens. Olhava para a redação e imaginava o futuro do País nas mãos de profissionais desprovidos de cultura, moral, ética e valores.
Cansada do marido que só pensava em trabalho, Maria redescobriu o fogo da paixão em outros braços. Acostumado a ter tudo nas mãos, o filho de João e Maria transformou-se em um vagabundo que só pensava em explorar o pai financeiramente.
Veio a aposentadoria e João começou a escrever um romance. Era a história de um jornalista humano, ético, revolucionário, que queria mudar o mundo através de suas reportagens. Seu protagonista acreditava que conscientizando o povo e educando as crianças, os corruptos não conseguiriam se eleger, e a história tomaria novos rumos.
Em certa altura de seu texto, João perdeu o fio da meada. Não conseguia entender o que havia acontecido. Sua cabeça estava pesada e confusa, algo havia se rompido. Por que, em tão pouco tempo, todos os sonhos se perderam? O que tinha acontecido? Por que as pessoas ficaram “tão básicas” e a juventude tão vazia? Ele não conseguira mudar o mundo. Será que sua trajetória não teria valido a pena? Um nó lhe apertou a garganta e, pela primeira vez, ele chorou. Adormeceu na praia e acordou ao lado da sua primeira Maria, com seu primeiro filho no colo e a esperança de um recomeço.
Maria José Sá
17/04/2000

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Gangsta's Paradise

Videoclip de la banda sonora de la película Mentes Peligrosas



Este rap mexe muito comigo. "Gangsta's Paradise" foi tema do filme "Mentes Perigosas", estrelado por Michelle Pfifer. Um filme lindo, que conta a história de uma professora idealista que conseguiu transformar a vida dos alunos, que eram escravizados por um traficante. É uma versão moderna do não menos belo "Ao mestre com carinho" (com o charmoso Sidney Poitier).
"Gangsta's Paradise" (Paraíso dos bandidos) tem um balanço delicioso e sua letra nos leva à reflexão. Fiz reportagem policial por muitos anos e acompanhei a trajetória de alguns bandidos famosos. Eles não tinham medo de matar e muito menos de morrer. Todos morreram ainda jovens.
Confira a tradução desta música tão envolvente:

Paraíso dos Bandidos


Enquanto eu caminho pelo vale da sombra da morte
Eu dou uma olhada em minha vida
e percebo que não sobrou nada
Porque tenho farreado e estou rindo há tanto tempo
Que até minha mãe acha que meu juízo acabou

Mas eu nunca atraiçoei um cara que não merecesse
Eu, ser tratado como um imprestável
Você sabe que nunca aconteceu
É melhor que você preste atenção como está falando
E onde está andando
Ou você e tua família podem acabar marcados no chão com giz

Eu realmente odeio me enganar, mas tenho que trancar
Enquanto eles resmungam
eu me vejo na fumaça da pistola
Babaca, sou o tipo de gangster
que os garotinhos da família querem ser
De joelhos à noite
fazendo orações na luz da rua

REFRÃO:
Desperdiçando a maior parte de nossas vidas
vivendo no paraíso de bandidos (x2)
Continuamos a desperdiçar
a maior parte de nossas vidas
vivendo no paraíso dos bandidos (x2)

Olhe a situação que eles me fizeram encarar
Não consigo viver uma vida normal,
fui criado pelo estado
Então tenho que ficar com a turma do bairro
Assistir televisão demais me deixou perseguindo sonhos
Sou um bobo educado, com dinheiro na cabeça
Tenho meus dez na mão e um brilho nos meus olhos
Sou um bandido trancado no lado de fora,
um fogo de artifício ligeiro
E meus familiares estão deprimidos
então não provoque minha raiva
Babaca! Morte não é nada,
está apenas a uma batida de coração de distância
Estou vivendo a vida, vivo ou morro, o que posso dizer?
Tenho 23 anos agora, viverei para ver os 24?
Do jeito que as coisas estão indo, não sei

Me diga, porque somos tão cegos para perceber
Que aqueles que magoamos somos eu e você?

REFRÃO

O poder no dinheiro, o dinheiro no poder
Minuto após minuto, hora após hora
Todo mundo está fugindo,
mas metade não está olhando
Está rolando na cozinha
mas não sei o que está cozinhando
Eles dizem que tenho que aprender
Mas não tem ninguém aqui para me ensinar
Se eles não conseguem compreender isso,
como eles podem me alcançar?
Acho que eles não podem, acho que eles não vão
Acho que eles estão encarando
É por isso que sei que minha vida está sem sorte, babaca!

REFRÃO

Me diga, porque somos tão cegos para perceber
Que aqueles que magoamos somos eu e você?

Me diga, porque somos tão cegos para perceber
Que os únicos que ferimos fomos eu e você?

Yanni - Ethnicity Tour

YANNI TOUR

View a short video clip of Yanni's last tour, Ethnicity tour. Don’t miss this spectacular show!

Yanni, paixão da minha vida!

O maestro grego Yanni é tudo de bom! Não tenho outra expressão. Sou perdidamente apaixonada por ele. Suas músicas me envolvem completamente. Ele mistura clássico com jazz, rock e ritmos latinos e orientais, resultando numa explosão de sonoridade que invade o inconsciente e lava a alma. Dentre minhas inúmeras músicas preferidas estão "The end of august" , "Aria" , "Love is all" e "Whithing Atraction".
Para quem ainda não o conhece, eu garanto que vale a pena ouvir seus CDs e assistir aos shows em DVD. É tudo de bom, mesmo!

Paco de Lucía-entre dos aguas

1976



Paco de Lucía, para mim, é um dos maiores músicos do mundo. Impossível não se emocionar com sua guitarra flamenca. Este clip ainda é incrementado com uma percussão que dá vontade de sair dançando. E acredite: quem dança seus males espanta.

Segunda-feira, Julho 24, 2006

As damas de ferro e os soldadinhos de chumbo


Um, dois, três, pelotão, marche. Sentido! Tremendo, os soldadinhos de chumbo batem continência para a dama-de-ferro que chega.
Altiva, prepotente, autoritária, a dama-de-ferro amedronta até o mais destemido soldado. Seu exército é formado por soldadinhos de chumbo, robozinhos, marionetes que ela manipula impiedosamente enquanto alimenta sua insaciável vaidade.
Ao contrário do que o leitor pode estar pensando, não estamos falando de um campo de concentração. Nosso cenário é uma entidade ligada ao Poder Judiciário, onde ocorre um crime terrível: o vampirismo, onde damas-de-ferro de costas-quentes sugam toda a energia vital dos simples mortais, que são obrigados a aturá-las para sustentarem suas famílias.
Para ganhar o pão nosso de cada dia, o simples mortal tem que perder a dignidade. É um pão suado, doído, que engasga, dá azia e custa muito caro.
Como se não bastasse a dama-de-ferro-mor, o exército dos soldadinhos de chumbo ainda tem que aturar as “damas-de-ferro auxiliares”. Juntas, elas tecem uma teia de vaidade e ignorância.
Esparramando terrorismo por onde passam, as damas-de-ferro são juízes implacáveis: condenam impiedosamente. Neste tribunal de horrores, o réu não tem direito a defesa, nem apelação e somente deve ficar inerte aguardando a promulgação da sua pena de morte, mesmo que não tenha cometido nenhum crime.
Piores que os Cavaleiros do Apocalipse, as damas-de-ferro cultuam a morte das idéias, e são contra qualquer tipo de manifestação do pensamento que não tenha partido delas mesmas.
Um dia, um destemido soldado ousou enfrentá-las e usou o armamento mais pesado que existe: suas idéias libertárias. Unidas, as damas-de-ferro conseguiram derrotar o soldado. Além de possuírem veneno letal, elas ainda pertenciam a famílias nobres, invencíveis na República do Nepotismo.
O soldado rebelde foi fuzilado, mas deixou a semente da liberdade plantada no batalhão. Todos continuam dizendo “amém” para as damas-de-ferro, porque precisam sustentar suas famílias, mesmo que isto lhes cause gastrite, insônia, depressão e enxaqueca. Mas agora os soldadinhos de chumbo já sabem que existe esperança e lutam para que seus filhos tenham um futuro melhor.
Quanto às damas-de-ferro, vão acabar seus dias enferrujadas com o próprio veneno da mediocridade e um dia hão de prestar contas das suas maldades no Tribunal Divino, onde sobrenome não tem importância e todos são iguais perante a Lei de Deus.

Uma noite na fila da esperança

Maria José Sá

Mais de dez mil pessoas passaram pela fila formada no Ginásio de Esportes de Campinas, nos últimos dias, na esperança de conseguir um emprego no Carrefour Cascavel, que oferece 480 vagas. Passei a madrugada de ontem nessa fila, onde ouvi histórias e tive oportunidade de compartilhar as angústias, incertezas e principalmente a esperança de centenas de brasileiros desempregados e desesperados. Tinha de tudo, desde quem chegou em carro importado e esnobou todo mundo, até quem veio de outros municípios com o dinheiro da passagem contado, sem agasalho e sem alimento, mas com vontade de trabalhar.

O primeiro da fila era o tapeceiro desempregado João Batista Nunes, 44. Ele mora no Setor Garavelo, em Aparecida de Goiânia, e chegou às 16h30 para guardar o lugar do filho de 20 anos, que cursa o 2º grau e chegou na manhã seguinte. João está desempregado há mais de 1 ano e o filho, há oito meses. Sua esposa não trabalha e eles têm mais um filho, de 10 anos. João diz que a família vive de bicos. “Eu e meu filho mais velho capinamos lotes, fazemos serviço de chapa, de eletricista e de encanador. Vamos nos virando como podemos, um dia tem serviço, noutro não.” Franzino, João passou a noite deitado em papelões com uma garrafa de água e um saco de pipocas “para quando a fome apertar”.

Tentando a sorte
A maranhense Andréia Oliveira, 22, é técnica em edificações, está desempregada há três meses e veio tentar a sorte em Goiânia, onde tem apenas uma amiga. “Saí de Imperatriz com a cara e a coragem. Aqui estou trabalhando numa banca de roupas e comida na Feira Hippie, onde ganho mais ou menos R$ 100 por semana. Estou me inscrevendo para operador de caixa. Parece que o salário é de R$ 410. Se conseguir, quero continuar na feira aos domingos.”

Na fila do Carrefour a maranhense conheceu seu segundo amigo goiano, Weber Gomes Ferreira, 21. Ele mora no Bairro Capuava, tem o 2º grau e é vendedor em uma papelaria, onde ganha R$ 360 mensais. O rapaz se inscreveu para o cargo de repositor e não sabe qual é o salário, mas acredita que seja um pouco mais do que ganha atualmente.
Em busca de vida melhor
A auxiliar de enfermagem Silvoneide Pereira de Britto, 31, que também passou a noite ontem na fila do Carrefour, deixou o trabalho de agente comunitária no Programa Saúde da Família (PSF) em Aparecida de Goiânia, onde mora, para procurar algo melhor. “Eu trabalhava oito horas por dia, ganhava um salário mínimo e não tinha tempo para procurar outra coisa. Meu marido é gari, tenho três filhos pequenos e vou me inscrever para qualquer coisa. Preciso de emprego com urgência.”

Marcos Roberto de Souza, 23, já trabalhou no CPD de outro grande supermercado, onde ganhava R$ 240 por mês. “Estou desempregado há dois meses, vou me inscrever para qualquer coisa.” Cristian Rodrigues Alves, 24, é professor de axé e dança de salão numa academia em Goianira, onde mora, e ganha menos de R$ 400. Ele veio de ônibus e também não sabe para o que vai se inscrever. “Qualquer coisa serve. O que tocar, estou dançando.” Maria de Lurdes Nascimento, 42, mora em Trindade e pegou três ônibus. Ela era auxiliar de escritório, tem um filho de 4 anos e está desempregada há três anos. O marido é repositor e ganha R$ 400. Ela se desespera e desabafa: “Só vim para não dizerem que não tentei”.

O calor humano aumenta à medida em que a temperatura cai. Embrulhados num cobertor e encolhidos sobre pedaços de isopor, Elisângela Pereira da Silva, 26, e o marido, Anderson Clayton Santana, 28, passaram a noite abraçados e planejando um futuro melhor para o filho de 3 anos. Ele é professor pró-labore numa escola do Jardim Curitiba e veio fazer companhia à esposa, que está desempregada.

Solidariedade aparece no frio da madrugada

É quase meia-noite na fila por emprego no Carrefour. O frio vai chegando, a noite vai passando e o povo se acomodando em colchonetes, jornais e papelões. A cada segundo aparecem mais candidatos. Alguns de carro, outros nos últimos ônibus, de bicicleta ou a pé. Todos na mesma situação, e o grupo acaba desenvolvendo uma harmonia impressionante.

Os “vizinhos de vaga” logo começam a dialogar. Os assuntos são variados. Alguém liga um radinho de pilha e os torcedores do Goiás se juntam para ouvir o final do jogo com o Corinthians. Não tinha banheiro disponível por perto, mas a galera não se apertou, deixou a vergonha de lado e literalmente “molhou as árvores” e os cantos escuros dos muros...

Começam a madrugada e as demonstrações de solidariedade. A maioria se acomoda no chão e quem tem cobertores sobrando agasalha quem não tem. O lanche também é dividido e o papo corre solto no friozinho. Um grupo animado se diverte jogando caixeta. O prevenido Wellington Rodrigues, 20, candidato ao cargo de repositor e desempregado há dois meses, levou o baralho na certeza de encontrar “uma turma legal”. Em poucos minutos, o grupo estava formado.

Duas mulheres surgem com um colchão de casal, cobertores, travesseiros e três crianças. Tratam-se de Vanessa Ferreira, 21, e sua torcida, formada pela tia e os primos de 7, 9 e 11 anos respectivamente, que vieram dar apoio moral. Para as crianças tudo é festa, mas Vanessa é técnica de informática e saiu do emprego há dois anos quando teve sua filha. “Pedi demissão para cuidar do bebê e agora não consigo reingressar no mercado.

Solidário, o estudante de Artes Cênicas da UFG Cleodon Neto, 25, surge com uma garrafa de café e copos de plástico. Ele é vizinho do ginásio e também está na fila. Uma cabeça branca se destaca na multidão. É o aposentado Domingos Alves Castro, 72. Ele mora no Goiânia 2 e veio segurar lugar para o neto Dérik, 21, que é técnico de computação e está desempregado. Com pouco agasalho, quando o frio aperta, Domingos demonstra cansaço em sua face, enquanto o neto dorme em casa.
Cada candidato trazia o brilho da esperança no olhar. Naquela noite gelada a maioria era de gente humilde. E um verso de Chico Buarque me vem à cabeça: “Que vontade de chorar”.
* Matéria publicada no Diário da Manhã em 18/7/2003 - Economia
Logo após a publicação desta matéria, a rede de supermercados Carrefour decidiu receber currículos para seleção pelo correio, sendo que somente seriam chamados para entrevista os currículos pré-selecionados, evitando assim, a formação de filas para inscrição ao processo seletivo.

O escultor de Deus


Maria José Sá

Para quem procura a paz, o local indicado para um passeio é o Mosteiro da Anunciação do Senhor, na Cidade de Goiás. É difícil descrever esse lugar onde a beleza está justamente na simplicidade e no contato com a natureza. O leitor tem que ir até lá e sentir a paz invadindo o coração. Construído pelos monges beneditinos, tudo no mosteiro faz alusão à união das raças branca, negra e indígena.

Um dos responsáveis pela belíssima arquitetura da obra é o monge francês Pedro Recroix, 80, semi-eremita. Ele é escultor de madeira e seus trabalhos são conhecidos mundialmente. A capela do mosteiro é aberta à comunidade, que pode assistir missa aos domingos, às 9h, e às terças e sextas-feiras, às 19h. Os monges cuidaram dos mínimos detalhes da composição do ambiente.

Tudo na capela tem um profundo significado que o artista explica pacientemente aos curiosos visitantes. “A bandeira colorida representa todos os países da América Latina pedindo paz. O Cristo estilizado vivo, de mãos grandes e inclinadas para a terra, significa os operários. A Menorah representa a parte mais reservada dos templos de Jerusalém, onde os sacerdotes oferecem seu sacrifício diário, é uma alusão ao Judaísmo. Não podemos nos esquecer que Jesus era judeu”.

O altar de madeira maciça entalhada tem desenhos das culturas inca, maia e asteca. Tramas com motivos orientais, em madeira, representam as antigas religiões do Oriente. Na capela reservada aos monges, Pedro esculpiu um Cristo liberto, voando para o alto. “Esta capela é menor, e a utilizamos para as orações individuais. Por isso criamos este ambiente mais aconchegante, que promove a intimidade com Deus”. Outros monges artistas, como o Irmão Celso, também contribuíram para a decoração com velas ornamentadas e peças de argila e ferro.

Irmão Pedro trabalha com diversos tipos de madeira. “Cada uma tem sua personalidade, mas as duras são melhores para esculpir.” O escultor aproveita o próprio desenho da madeira para compor a trama. Seus trabalhos são comercializados e a renda é destinada para ajudar na manutenção do mosteiro. Embora ele afirme que não sabe dar preço às suas peças. “Pôr preço numa obra de arte é prostituir a arte.” Ele ensina seu ofício para alguns adolescentes vizinhos. “Só exijo que se comportem, tenham juízo e gostem de trabalhar com a madeira.”

“Ora et labora, trabalho e oração. Este é o nosso lema e é o que ensino aos jovens.”

Daiane Ferreira de Aguiar, 12, estuda pela manhã e à tarde aprende a esculpir madeira. “Estou com ele há seis meses. Já sei fazer nomes e copiar desenhos. Até já vendi dois quadrinhos que fiz. Estou adorando e quero aprender o máximo com o Irmão Pedro. Decidi que quando crescer, quero viver de esculturas de madeira. É muito bom ver o trabalho da gente pronto.”

Gilmar Ferreira, 20, também é escultor. O rapaz é de Ceres e está no mosteiro há dois anos. Ele é o braço direito de Irmão Pedro, de quem é aluno. “Eu estudo Teologia e aprendi a esculpir madeira. Quero ser monge. Aqui no mosteiro o aprendizado é muito grande, tanto de vida quanto de arte.”

Comunhão ecumênica
No site www.empaz.org, o prior do Mosteiro, Marcelo Barros, explica a comunhão com as outras religiões, adotada pelos Beneditinos:

“Não obstante a extraordinária beleza e o potencial de induzir a pleno estado de oração, que esta antiquíssima maneira de rezar tem propiciado ao longo dos séculos, cuja guarda tem sido carinhosamente preservada na tradição de nossa Ordem, a comunidade do Mosteiro da Anunciação assumiu buscar, pesquisar e ampliar formas inculturadas de liturgia, que facilitem a evangelização das comunidades entre as quais nos inserimos, sem prejuízo da beleza, harmonia e simplicidade do Louvor a Deus.

Procuramos estar sempre em sintonia com a tradição da Igreja e também com a cultura popular. Buscamos, portanto, uma liturgia que seja expressão da vida que vivemos, no bairro onde moramos. A Comunidade procura participar em atividades e eventos que consagrem sua presença libertadora no universo das culturas, numa atitude de reverência, diálogo e aprendizado com o diferente, reconhecendo, humildemente, que muitas vezes Deus também se revela naqueles que não são iguais a nós.

O Ecumenismo e o Macro Ecumenismo constituem, portanto, opções fundamentais da comunidade do Mosteiro da Anunciação do Senhor, e são uma das características mais marcantes do estilo monástico ali vivenciado. Na segunda-feira, rezamos em comunhão com o budismo e o hinduísmo; na terça, com as tradições afro-brasileiras; na quarta, com todas as pessoas que buscam o divino nos mais diversos caminhos não-institucionais; na quinta, com as tradições indígenas; na sexta, com o islamismo; no sábado, com o judaísmo, e no domingo fazemos coro com todas as igrejas cristãs.

O Ofício do Meio-Dia é dedicado à comunhão com as grandes tradições religiosas do mundo, onde pedimos a graça da comunhão e do diálogo. A leitura deste ofício é sempre tirada de algum texto sagrado de outras tradições espirituais ou documento explicativo. Muitas celebrações do mosteiro dão-se portanto a nível ecumênico e macroecumênico, tanto no espaço de nossa vizinhança, com as Igrejas Evangélicas irmãs, quanto no âmbito nacional e regional. Sempre que possível estamos presentes em atos, eventos e congressos pertinentes ao diálogo inter- religioso, em particular a Assembléia do Povo de Deus - APD, que anualmente temos acolhido em nosso Mosteiro.

Nossos irmãos têm participado de manifestações autênticas da cultura e religiosidade populares, como a tradicional peregrinação do povo goiano ao Santuário de Trindade, caminhando a pé dezenas de quilômetros pelas estradas do interior, durante dias, a cavalo ou de carro-de-boi. As folias folclóricas e de fundo religioso popular também são acolhidas no Mosteiro, em respeito aos fazeres populares e suas formas peculiares de louvar a Deus.”
* Matéria publicada no jornal Diário da Manhã em 2/4/2003

As ‘meninas’ da balada





Não há quem não solte boas gargalhadas quando tem uma drag queen por perto. Sem elas, a noite não seria a mesma. Agora, imagine um bando delas dançando quadrilha, com roupas típicas, noiva e tudo mais. Até São João se divertiu... Para estes artistas, tudo é festa. “A gente anima até velório”, diz Tyna Brazil, 23. Ao contrário do que muitos imaginam, as drag queens não são travestis. São palhaços caracterizados de mulher. São homossexuais, mas não se prostituem e têm parceiros fixos, como fazem questão de ressaltar.

Nas boates, as drags cantam, dançam e fazem o correio elegante, que funciona assim: quando uma pessoa gosta de outra que não conhece, manda um bilhetinho, que a drag entrega de maneira descontraída, promovendo o encontro. A empresária Regina Perri, proprietária da boate gay Jump, conta que o público adora as drags. “Elas animam as pessoas, brincam e têm fãs de carteirinha, embora o cliente normal prefira um ambiente mais intimista.”

Animação – Roberto Silva, habitué de boates gays, diz que gosta da animação dos artistas. “Só que quando acontece em excesso, atrapalha um pouco. Em outros Estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, as drags têm um repertório maior de brincadeiras e as piadas são mais inteligentes.”

A maioria das drag queens goianas tem formação teatral e faz parte do famoso show Ju Onze 24. Durante o dia, elas se vestem normalmente como homens, e trabalham. Alguns assumem a condição sexual, mas a maioria esconde da família. Conversamos com várias drags durante a festa junina na boate Jump, na madrugada do último domingo.
Eles dizem que têm a aura cor-de-rosa
“Sou homem, mas tenho a aura cor-de-rosa.” Assim se define Fryda Bomba, 23, 1,90m de altura. Durante o dia, ele trabalha como decorador e há dois anos faz parte do elenco do humorístico Ju Onze 24. Entretanto, Fryda não revela sua identidade, assim como a maioria das suas colegas. “Não quero expor minha família”, justifica. Tyna Brazil, 23, é drag há sete anos e a única desse grupo que assume a verdadeira identidade. “Também sou bailarino e faço o show do Ju há oito anos.” Durante o dia, Tyna se chama Anderson e trabalha como cabeleireiro e maquiador, e diz que gosta de animar a balada.

As drag queens ganham cachês (que não revelam o valor) para animar festas, boates, chás de panela, feiras de cosméticos e despedidas de solteiro. Samara Morgans, 22, é gerente administrativo de uma grande empresa. “Ninguém sabe que sou drag. Durante o dia, sou um homem normal. Eu freqüento boates gays há algum tempo e achava as drags interessantes. Trabalho num ambiente muito sério e aquela farra me animava. Para fugir do stress, resolvi explorar minha veia cômica, conversei com as meninas e resolvi ser drag. Estou feliz e me divirto muito.”

Alexya Rignatta, 22, conta que demora duas horas para se maquiar. “A pior parte é colar o cílio postiço.” Maquiagem e perucas extravagantes são fundamentais na composição do visual, assim como perfumes marcantes. Debochadas, elas contam que drag queen é uma personagem que não tem sexo. “Exploramos o lado cômico e não o sexual. O público jamais verá uma drag beijando na boca.”

Durante o dia, Yrana Smith, 22, é técnica de enfermagem em um grande hospital. “Minha mãe sabe que sou drag e acha legal. Ela até guarda fotos de shows. No meu trabalho, sou sério e muito profissional. Mas ser sério cansa, então resolvi ser drag queen para ser bonita.” Aryel Montila, 19, é cabeleireiro e virou drag há seis meses. “Minha família sabe por alto, mas finge que não sabe e prefere não comentar.”

A situação mais complicada é de Mary Kane, 21, drag queen há um ano. “Sou de uma pequena e conservadora cidade do interior. Meu pai é caminhoneiro, supermachista e ignorante, se souber que sou homossexual, e ainda drag queen, não tenho dúvidas de que ele me mata.” Mary estuda enfermagem e teatro, e garante que sua família jamais descobrirá sua condição. “Recebi uma educação muito rígida.”

Xantara, 33, é drag há nove anos e trabalha como cabeleireiro e maquiador. “Sou muito assediado e os homens confundem drag queen com travesti. Temos de deixar claro que não fazemos programa.” O estudante Leandro é freqüentador de boates gays e adora as drag queens. “Elas são tudo de bom. São o chamativo da boate. São animadas e divertidas, boate gay tem que ter a alegria e o colorido das drag queens.” (Maria José Sá)

Vocabulário gay

Babado: serve para quase tudo. Sexo, drogas, encontros, comida, música, conversa. Vale também para a célebre pergunta “Qual é o babado?”, no sentido de o que está acontecendo?

Barbie: corpo de Tarzan, cabeça de Chita. Gay bastante sarado, com corpo ultratrabalhado

Basfond (leia-se báfon): bagunça, confusão, baixaria, bochincho, barra pesada

BF: Bicha Fina ou Bolacha Fina. Homossexuais com mais de 30 anos, com dinheiro, chiques e freqüentadores de bons ambientes

Biba: homossexual masculino ou feminino

Bofe: homem másculo

Bofescândalo: homem gostoso

Bolacha: nome meigo para sapatão

Cascaboi: usada por gays mais velhos, designa aquele ser meio carrancudo, chato

Caso:
namorado

Armário:
enrustido. Sair do armário: se assumir

Sandália: a mulher da caminhoneira

Sapa, Sapata: diminutivo de sapatão

Caminhoneira: lésbica bem masculina

Drag queen:
homem que se veste com roupas geralmente associadas ao sexo feminino, mas sem esconder que é homem, também associado a maior espalhafato

Drag king:
versão feminina de Drag Queen, mulher que se veste de homem

Elza: roubo; dar a Elza: roubar

Susie: aquele rapaz que malha bastante, tem o corpo legal, mas não é grandão, bombado, não é barbie ainda

Entendido/a: gay/lésbica

Fechar:
fazer sucesso

Lady: lésbica de aspecto feminino

Luxuosa: expressão de aprovação para alguém bem produzido, bonito

Meda: feminino de medo. Usado como interjeição para algo que não é agradável

Me erra!:
me larga

Naja: fofoqueira, intrigueira

Sarado: malhado, marombado, com bom corpo

Sapatão: lésbica de aspecto masculino

Bagaceira: de baixo nível
* Matéria publicada no Diário da Manhã - DM Revista de 19/6/2003

A beleza do rio que corre na nossa aldeia



Maria José Sá

Neste final de semana foi encenada em Goiânia uma obra-prima da dramaturgia brasileira, Rasga Coração – o último texto do dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho. Com o apoio da Brasil Telecom e do Projeto Goyazes - da Agepel, os ingressos custaram apenas R$ 10,00 e ainda tinha meia para estudante, R$ 5,00 - muito menos do que se gasta com espetinhos e cerveja em qualquer boteco da periferia que vive lotado...

A Cia. Teatral Martim Cererê, “goiana do pé rachado”, coleciona diversos prêmios ao longo da sua trajetória. As poucas pessoas que assistiram ao espetáculo puderam, mais uma vez, comprovar o talento da nossa prata da casa.

Quando entrevistei o ator Edwin Luisi, do elenco de A pulga atrás da orelha, comentei que a companhia de Marcos Fayad estava em cartaz com Rasga Coração, e o ator carioca exclamou: “Rasga Coração, do Vianinha? Então ninguém vai ver a minha peça!” Nota-se que ele não conhece este Goiás, que não valoriza seus artistas.

A trupe goiana estreou na sexta-feira, concorrendo com o show do Paralamas do Sucesso, e no sábado tinha A pulga atrás da orelha (uma dessas comédias caça-níqueis, cujo ingresso custava R$ 50,00). Talvez o público optou pelas outras atrações devido ao forte apelo comercial do merchandising, ou simplesmente por ignorância.

Estou cansada de ouvir que “em Goiânia nunca tem nada” etc e tal. Pois digo e assino em- baixo que aqui tem muitas opções culturais, como as peças e shows do Martim Cererê, cujos ingressos, geralmente, custam menos de R$ 5,00. Quando saem daqui, nossos artistas se destacam. O virtuose violonista Felipe Valoz e nosso cantador Francisco Aafa se preparam para uma temporada no Japão, no próximo ano.

Em todo o Estado temos uma infinidade de artistas anônimos esperando por uma chance. Já dizia o poeta que “O rio mais bonito é o rio que passa na minha aldeia”. Quando será que vamos enxergar a beleza do rio que passa na nossa aldeia?
* Artigo publicado no Diário da Manhã - DM Revista - em 8/4/2003

Sensação flamenca


Maria José Sá

O espetáculo de música e dança Sensação Flamenca será exibido hoje, às 21 horas, no Teatro Vila Marista, do Colégio Marista. Uma oportunidade imperdível para os apreciadores da cultura espanhola. Diz a lenda que quem canta flamenco sente um gosto de sangue na boca. De acordo com a bailarina Yara Castro, “esse ritmo é o pulsar do coração de uma pessoa, de um povo. É uma expressão, um sentimento interior. É o sentir da alma, do espírito, do sangue, da voz que canta sua dor, sua alegria, sua paixão, suas penas. Manifestação de um corpo que baila na mesma intensidade da emoção e personifica a todo o momento aquilo que está em suas raízes mais profundas e íntimas – um grito de liberdade que jamais será perdido”.

O flamenco é considerado um conjunto de formas de expressões de uma cultura genuína e arraigada em Andaluzia. Manifesta-se, principalmente, por uma maneira peculiar de cantar, bailar e tocar guitarra. Nos bailes flamencos, os movimentos, atitudes e gestos são determinados pelo temperamento e pela arte expressiva de quem baila. No entanto, algumas normas básicas são observadas. Na técnica dos pés, por exemplo, podemos observar o sapateado com sons ritmados cheios de musicalidade. Os movimentos suaves e ligeiros produzem deslocamento com demonstrações habilidosas. Nos bailes femininos, as mãos movimentam-se em giros expressivos, que marcam as características primárias presentes neste tipo de baile.

No flamenco, o corpo traduz a dualidade de contrastes, marcada em posturas estáticas e em “paseos”, realizando movimentos de torções convulsivos e violentos, acompanhados por constantes movimentos de braços. Nos bailes femininos, as mãos e os dedos movimentam-se em giros expressivos, que marcam as características presentes neste tipo de baile.

História
A bailarina Yara Castro explica que “percorrendo tudo que há para ler e pesquisar sobre a origem do Flamenco e seu patrimônio histórico, ficamos inertes frente a tantas hipóteses levantadas para dar respostas à origem cultural dessa arte. As primeiras reuniões aconteceram em Triana, e eram feitas em tabernas e botillerias, no pátio interno, enfeitadas por plantas como costume de Andaluzia (limoeiros, laranjeiras, gerânios, e jasmim). Eram encontros de caráter familiar, popular, em palmas, animando os bailaores, entoando olés e jaleos. Era um mundo cerrado, oculto, intimo, sem influencia externa reservada a uns poucos”.

A difusão do Flamenco através dos cafés tomou proporções tão amplas, de tão grande aceitação, que era rara a província que deixava de contar com a existência de um café cantante. Nos últimos anos , os bailes flamencos passam a mostrar uma mistura de dança e teatro, incorporando técnicas de expressão corporal, dando ao baile uma acentuada violência, exagerando nas expressões faciais que nada condizem com a hondura.

Ritmos distintos, numa mescla de fusões musicais e de elementos coreográficos e técnicos, passam dentro do mesmo baile, e muitas vezes parecem estar num caminho de notória confusão com escobillas e taconeos extensos, movimentos de baços e mãos contrários à linguagem tradicional.

Charme latino
A professora e coreógrafa Yara Castro desenvolve um trabalho de orientação, ensinamento técnico e essência da linguagem Flamenca, através de cursos e workshops por todo o Brasil, com montagem musical do professor de guitarra Flamenca Fernando de La Rua.

Como fruto dessa vivência, nasce em Goiânia o Grupo Sociedad Flamenca, composto pelas bailarinas: Luciana Rodovallo, Míriam Nogueira e Rossana Naves. O grupo teve início de sua carreira no espetáculo Encuentros, em maio de 2001, apresentando-se em Morrinhos, Brasília e Goiânia. Participou do espetáculo 5 Momentos, em São Paulo, realizado pelo Espaço Flamenco Yara Castro (dezembro de 2001). Também obtiveram sucesso no espetáculo Aires Del Flamenco (abril de 2002), apresentando-se em Goiânia e Brasília, e em apresentações no festival nacional da dança – Fest Dança (maio de 2002).

Sensación Flamenca é o novo espetáculo que traduz o trabalho solo da bailarina Yara Castro, com montagem e concepção musical de Fernando de La Rua.

Diretora do Grupo Flamenco Laurita Castro há 13 anos, Yara teve sua origem clássica, passando por várias linguagens da dança, como o afro, o jazz, até optar pelo Flamenco como sua forma de expressão artística. Desde 1991, vai para Espanha participar de cursos com grandes nomes do Flamenco, como La China, Carmen Cortéz, Rafaela Carrasco, Antonio Canales, Manuel Reyes etc.

Atualmente ministra cursos por todo Brasil, afirmando cada vez mais sua forma muito peculiar de bailar, coreografar e interpretar o Flamenco. Possui em São Paulo o “Espaço Flamenco Yara Castro”, onde trabalha com seu grupo profissional e com o guitarrista Fernando de La Rua.

Também participa do show o guitarrista e diretor musical Fernando de La Rua. Filho de espanhóis, Fernando inicia sua pesquisa no Flamenco em 1987, e desde 1988 trabalha com Yara Castro. Acompanhou em gravações alguns artistas do cenário musical brasileiro, como Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Roberta Miranda, sempre como solista convidado. Há cinco anos trabalha com a cantora Fortuna, em São Paulo, e vai anualmente à Espanha, desde 1991, trabalhar como guitarrista em vários tablados em Madrid, entre eles o Las Carboneras.

O guitarrista Tito Gonzales tem ascendência espanhola, iniciou seus estudos de Flamenco com Fernando de La Rua, com quem toca até hoje em trabalhos de dança e música instrumental. Dirigiu a parte musical do trabalho Amor Bruxo, em São Paulo, no Palace. Esteve em 1999 na Espanha, onde estudou com Gerardo Nunez, El Entri, Manolo Franco, entre outros.

José Fernandez é percussionista e cantor. Natural de Granada - Espanha, é gitano e pertence a uma das famílias mais tradicionais de Flamenco em Andaluzia. Trabalha com a arte Flamenca desde pequeno, seguindo as tradições de seus pais, e esta no Brasil a três anos. Miguel Alonso é cubano e vive no Brasil a três anos. Em Cuba se destacou em vários trabalhos em companhias de dança. Atualmente, atua como bailarino convidado e ministra aulas e cursos em todo o Brasil.

* Publicado no Diário da Manhã em 03 de abril de 2003

Quinta-feira, Julho 20, 2006

A Vila da Esperança


Três atores do Grupo Circo - Alegria do Povo somam forças para transformar a vida de uma comunidade

Maria José Sá

Já disse um poeta que, “sonho que se sonha só, é sonho; mas sonho que se sonha junto, vira realidade”. Foi pensando assim que os três atores do Grupo Circo - Alegria do Povo somaram as forças para transformar a realidade de uma comunidade carente na periferia da Cidade de Goiás. Há 12 anos, o mineiro Robson Max de Oliveira e os italianos Pio Campo e Lucia Agostini investiram seus patrimônios pessoais na construção da Vila Esperança.

O grupo adquiriu uma área de 15 mil metros quadrados, que era um depósito de lixo e, aos poucos, eles construíram um verdadeiro império da cultura afro-brasileira.

Pio Campo diz que o projeto nasceu da busca por um sentido mais profundo da vida. Ele é ator, bailarino, coreógrafo e dançaterapeuta. Pio trabalhava com turismo em Milão, e deixou tudo para desenvolver um trabalho artístico com comunidades carentes do Brasil. Aqui, ele conheceu seus companheiros de sonho.

A Vila Esperança tem uma brinquedoteca, com mais de 1.000 brinquedos e jogos didáticos, que atualmente é freqüentada, em média, por 200 crianças com idade entre seis meses e 14 anos.

Uma equipe de animadores culturais promove atividades lúdicas e os atores desenvolvem laboratórios de teatro, dançaterapia, artes plásticas, música e leitura. As crianças recebem merenda e noções de saúde bucal e higiene sanitária.

Os coordenadores optaram pela valorização e o resgate das culturas afro-brasileira e indígena. O tema é constante tanto na arquitetura e decoração como nas atividades didáticas desenvolvidas, incluindo freqüentes comemorações.

Depois da Brinquedoteca Alegria do Povo, o grupo idealizou e construiu dentro da Vila uma escola de ensino fundamental. “Procuramos realizar hoje uma escola com rosto latino-americano e uma escola pública diferente. Queremos ajudar a nascer uma nova geração de cidadãos do mundo, brasileiros orgulhosos de suas origens e valores.”

Tanto a escola como a brinquedoteca são totalmente gratuitas. Os alunos usufruem do contato com a natureza, das atividades artísticas e culturais desenvolvidas pelo grupo e dispõem de toda estrutura dos vários ambientes da Vila, como a Praça dos Ancestrais, o teatro de arena, o memorial da cultura indígena e afro-brasileira, o jardim das formas, parquinho, uma aldeia com cabanas indígenas e muito mais.

A megaestrutura é mantida com o trabalho dos atores e a ajuda de grupos italianos que contribuem com o salário dos funcionários. Os recursos são poucos, mas eles persistem. É um universo de criatividade, onde a capacidade de criação dos artistas é inesgotável.
* Matéria publicada no Jornal Diário da Manhã, de Goiânia, em 6/4/2003
Foto do site: www.vilaesperanca.org

Aprendendo à distância


Quando apresenta uma programação de qualidade, a televisão oferece resultados positivos. A instrutora de artesanato do Dim Dim, Nilva Bandeira, 48, conta que aprendeu seu ofício assistindo televisão.
“Aprendi artesanato no programa da Ana Maria Braga. Sou fã dela e sempre assisti desde o início, na TV Record e depois na Globo. Eu sou costureira, mas sempre gostei de trabalhos manuais. Anotava tudo que aprendia na tevê.”
Nilva diz que em Nova Veneza há muitas costureiras. “Antigamente, toda mulher aprendia a costurar, então o mercado aqui não é muito bom para esta atividade.”
Também foi com Ana Maria que Nilva aprendeu a aproveitar sucatas. “Passei a guardar jornais, latas de óleo, embalagens de refrigerantes, caixas de ovos etc.”
Utilizando a criatividade, Nilva foi transformando o que antes era lixo em objetos de decoração e brinquedos, que vendia. “Assim meu trabalho foi ficando conhecido e fui contratada para ensinar no Dim Dim. Ganho um salário mínimo por mês, como instrutora de artesanato. Vivo com minha mãe, que é idosa e doente. Ela ganha um salário de aposentadoria e essa é a nossa renda.”
A instrutora se diz feliz com seu trabalho. “É ótimo poder ensinar. As crianças gostam de fabricar seus brinquedos. Também há a possibilidade de ganhar algum dinheiro vendendo os trabalhos”. Nilva se diz grata ao programa.
Tiago Correia da Silva tem dez anos e está aprendendo a confeccionar caixas de presentes com Nilva. “Gosto do curso. Quando crescer, eu já saberei fazer alguma coisa. Minha mãe é costureira e meu pai é soldador. Quero vender meu trabalho para comprar as coisas que tenho vontade de ter. No momento, eu gostaria de comprar um monte de bom-bons e comer tudo sozinho.”

*Matéria publicada no jornal Diário da Manhã - encarte "Goiás em Raio X" - Nova Veneza

Amor incondicional


Graça e leveza marcam a dança de um grupo animado. Harmonicamente, os movimentos acompanham as nuances da música, ora suave, ora vigorosa. O espetáculo de rara beleza emociona os espectadores, que não contêm as lágrimas diante tamanha mostra de sensibilidade. Os bailarinos são deficientes auditivos e a maioria também sofre com algum nível de deficiência mental. Eles são internos do Asilo São Vicente de Paula, na Cidade de Goiás.

Há cinco anos, duas vezes por semana, o dançaterapeuta italiano Pio Campo ensina dança aos moradores do asilo, utilizando o método desenvolvido pela bailarina argentina Maria Fux. “O método internacional Maria Fux propõe mudanças por meio do movimento criativo, qualquer que seja a condição física ou psíquica. E ajuda a encontrar motivações para se aceitar, ter confiança e crescer.”

“Utilizamos a dança para sair da solidão, do isolamento, dos esquemas rígidos criados à nossa volta. Dançamos para aceitar as diferenças e descobrir a riqueza de quem é diferente. A dança que nasce na aparente imobilidade de quem está na cadeira de rodas, no silêncio de quem não ouve, no escuro de quem não reconhece o seu corpo. Dançar para dizer: sim, posso. Dançar para viver.”

Para desenvolver seu trabalho, Pio utiliza mímica e alguns objetos, como cadeiras e um elástico, para se comunicar com o grupo. Os movimentos são sincronizados e é difícil acreditar que aquelas pessoas não estejam ouvindo a música. De acordo com o especialista, na dançaterapia para deficientes auditivos o movimento nasce no mundo que os rodeia. “Utilizamos a música silenciosa que está escrita ao nosso redor. O silêncio é cheio de formas e pode ser dançado.” Os 30 bailarinos de Pio têm a expressão leve, são sorridentes, e cada um se comunica através de uma linguagem própria, desenvolvida de acordo com suas limitações. Assisti-los é um privilégio e uma lição de vida.

Freira é a mãe de todos

O Asilo São Vicente de Paula existe na Cidade de Goiás desde 1909 e atualmente tem 106 internos idosos. Cada doente traz consigo uma história de dor e abandono. Todos foram rejeitados pelas respectivas famílias e a maioria foi acolhida pela freira
Gabriela Guedes Coelho, que faleceu há 23 anos, deixando em seu lugar a dominicana Maria Aspásia Lisboa.

Irmã Aspásia, atualmente com 74 anos, não tira férias há 23 anos, desde que assumiu a direção do asilo. E nem pode, pois ela é a mãe de todos os internos. Na maior parte do tempo sozinha, ela ensinou aos portadores de deficiências leves a tomarem conta dos casos mais graves. “Eles me ajudam. Os menos doentes dão banho, vestem e penteiam os cabelos dos que não têm condições de se cuidar sozinhos.”

Ao fugir de casa para ser freira, a adolescente mineira não imaginava que tantas pessoas dependeriam do seu amor para sobreviver. Nos últimos 53 anos, irmã Aspásia morou em vários Estados e era diretora do convento do Rio de Janeiro quando a amiga Gabriela a convidou para conhecer a Cidade de Goiás. “Ela me apresentou aos pacientes e me ensinou como administrar o asilo. Dois meses depois, Irmã Gabriela faleceu, vítima de câncer, e tive que assumir o seu cargo. Minha vida mudou radicalmente.”

A freira ressalta que seus pacientes são especiais. “Eles não são abandonados, são de Jesus. Para manter a harmonia do asilo, o segredo é a higiene rigorosa e a boa alimentação, por isso, eles raramente adoecem.” O amor de irmã Aspásia e dos voluntários também é fundamental, tanto que nenhum dos internos precisa tomar medicamento forte. “Eles são excepcionais, mas têm sentimentos nobres.”

A solidariedade dos voluntários é um dos fatores que contribuem para o sucesso do trabalho de irmã Aspásia. “Temos artistas, professores e pessoas da comunidade que, além de ajudarem com doações materiais, desenvolvem diversas atividades recreativas e artesanatos. O trabalho do Pio, por exemplo, é maravilhoso e tem trazido inúmeros benefícios para o desenvolvimento deles.” Um grupo de voluntárias confecciona belas bonecas de pano que se parecem com Cora Coralina e são comercializadas para ajudar nas despesas da entidade. Dentre muitos outros, o empresário Leonardo Rizzo e o médico Fernando Cupertino de Barros, atual secretário de Saúde do Estado, são alguns dos grandes colaboradores do Asilo São Vicente de Paula.

São muitas as histórias tristes, como a de uma idosa que, além da deficiência mental, ainda é paralítica. Quando era jovem, para escondê-la, a família a deixava o dia inteiro dentro de um buraco cavado no chão. Com isso, suas pernas atrofiaram. Apesar de viver na cadeira de rodas, hoje ela tem uma expressão leve e acompanha a música movimentando os
braços e as mãos.

Irmã Aspásia não tem espaço e nem condições financeiras para aceitar novos doentes. Quem quiser ajudar o asilo, doações de alimentos, produtos de higiene e limpeza, e roupas são bem-vindas. Atualmente a freira sonha em ganhar uma máquina de fazer fraldas geriátricas. “O consumo de fraldas é grande e elas custam muito caro. Se tivermos uma máquina, poderemos confeccionar as fraldas; com isso, economizaríamos muito.”

No último domingo de cada mês, a freira promove um almoço comunitário com os colaboradores da instituição. “São mais de 50 famílias, e cada pessoa traz um prato. A banda da PM toca alegres músicas dançantes, e todos se divertem; é uma alegria para nós.” A incansável irmã Aspásia é alegre, cheia de vida e tem muita disposição para o trabalho. “Gosto muito daqui. Nosso universo é muito bonito e aqui estamos protegidos do mundo lá fora.”
*Matéria publicada no jornal Diário da Manhã - DM Revista - em 06 de abril de 2003
Obs. 1 - Uma pessoa se comoveu com a reportagem e doou a máquina de fazer fraldas para o Asilo São Vicente de Paula, no dia seguinte à publicação, mas me pediu para não ter seu nome divulgado.
2 - Irmã Aspásia Lisboa faleceu no último Natal (dezembro de 2005). Teve uma parada cardíaca enquanto dormia, e os doentes sentiram muito. A ordem Dominicana enviou três freiras para continuarem o trabalho de irmã Aspásia.

3 - Esta reportagem percorreu diversos lugares e foi parar até no convento das Domincanas na Itália. Também foi indicada para o Prêmio Ethos de Jornalismo, não venceu, mas conseguiu ter destaque entre as melhores reportagens da Região Centro-Oeste, do ano de 2003.

As casas de madeira de Iaciara


Em algum momento, Iaciara confunde-se com o Paraná. São as casas de madeira, com suas cercas baixinhas, muito comuns no sul do País. Construídas no auge da exploração da madeira, estas casas que têm fogão de lenha e chaminé compõem o cenário romântico e nostálgico da cidade.
O lavrador Lúcio Alves dos Reis, 49, conta que construiu sua casa há 12 anos. "Eu não podia fazer de alvenaria e, na época, a madeira era muito barata. Ganhei este lote do meu patrão e levantei minha própria casa".
Lúcio diz que hoje não teria condições de edificicar sua residência. "Agora a madeira está escassa e o preço subiu muito. Eu não teria como comprar a madeira atualmente".
Foi na casa de madeira que Lúcio criou seus oito filhos. O fogão é de lenha, tem energia, mas a família não tem televisão nem rádio. "As meninas assistem a novela na vizinha".
A situação está difícil e o lavrador e os filhos fazem bicos em fazendas. Eles sonham em poder trabalhar de carteira assinada, um dia. E agradecem a Deus pela casa própria.

* Iaciara é um município do estado de Goiás
*Matéria publicada no jornal Diário da Manhã, no encarte "Goiás em Raio X" - Iaciara

Peão bem sucedido


Com apenas 22 anos de idade, Rogério Pereira já é um fazendeiro bem-sucedido. Ele é o peão de boiadeiro mais premiado de Iaciara. Somente em seis anos de competições, o jovem já conquistou quatro carros e 14 motos em prêmios. A maior conquista de Rogério foi o primeiro lugar no Rodeio Mundial de Barretos, em agosto de 2000. Este ano, até o fechamento desta edição, o peão havia participado de cinco rodeios e vencido quatro. Dentre suas vitórias, ele cita competições na Granja do Torto, em Brasília.
No ano passado, Rogério ganhou R$ 10 mil na Exposição Agropecuária de Aparecida de Goiânia e R$ 12 mil na Exposição de Goiânia. Filho de pai comerciante e mãe enfermeira, Rogério Pereira monta desde os 11 anos de idade, mas começou a treinar para rodeios na fazenda de amigos, aos 14 anos de idade. Foi quando abandonou os estudos. "Estudei até a 7ª série. Tive que parar por causa das competições. Toda semana viajava para um lugar diferente e não tinha como seguir a escola".
Mas o rapaz nasceu com a estrela de vencedor. Com o dinheiro ganho nos prêmios, há dois anos Rogério comprou sua própria fazenda, de 35 alqueires, e seus próprios animais.
Apaixonado por bichos, o peão ressalta que mantém um veterinário em sua fazenda. A grande paixão de Rogério são seus dois touros: Mano Véio, da raça Simental, e Brasileiro, um nelore. O boi mais bravo que o peão enfrentou foi o Boêmio, da raça Chianini, do fazendeiro Marcelo Souza, de Anápolis. O peão ganhou um Ford Fiesta por ter se mantido sobre o touro por 20 segundos.
Em janeiro, Rogério vai competir em Boston, nos EUA. Ele afirma que os animais sabem que estão competindo. "Eles entendem o momento do show"

*Matéria publicada no jornal Diário da Manhã, no encarte "Goiás em Raio X" - Iaciara

Santuário para deusa hindu


Sarasvati, a deusa hindu da sabedoria, tem um santuário a 12 quilômetros de Cocalzinho. Os 11 alqueires da propriedade têm jardins de plantas ornamentais e ervas medicinais, piscinas de água corrente, espaço para meditação, um teatro de arena, área de camping e 15 cabanas de palha para turistas, dentre outros atrativos.
O espaço pertence ao cientista político americano Victor Hart. Ele avisa que, a partir de julho, o Santuário de Sarasvati estará pronto para os turistas.
Victor pretende investir no turismo religioso. Ele vai alugar sua fazenda para convenções, cursos e encontros de grupos religiosos, místicos e esotéricos. “Aqui é o local perfeito para meditação. Em julho, receberei o primeiro grupo. Eles são membros de uma igreja sediada nos Estados Unidos. Virão pessoas de vários países, para a convenção anual da igreja.”
Hart aproveita ao máximo os recursos naturais. A energia da propriedade é solar, as plantas são nativas, a alimentação é natural. O ar é puro e o ambiente ideal para quem está saturado do estresse das cidades.

*Matéria publicada no jornal Diário da Manhã, no encarte "Goiás em Raio X" - Cocalzinho

Religiosidade em Cocalzinho


Cocalzinho de Goiás é um município novo e ainda está construindo sua identidade cultural. Mas a religiosidade tem uma forte presença, principalmente entre os mais velhos. A maioria católica da população mantém altares dentro de casa, com imagens de santos, onde fazem suas novenas.
A aposentada Sebastiana Alves de Assunção, 75, é um exemplo clássico da goianidade. Muito católica, ela reza diariamente em frente ao seu altar, onde tem imagens e pôsteres de seus santos preferidos.
Nascida e criada numa fazenda em Corumbá, Sebastiana conta orgulhosa que tem este nome porque nasceu no dia de São Sebastião, 20 de janeiro.
Sebastiana mora em Cocalzinho desde a emancipação do município e diz que seu programa preferido sempre foi ir à igreja. “A casa de Deus é muito boa. Quando vamos à igreja, trazemos Jesus para casa. É em frente ao meu altar que converso com ele, que sempre me responde. Tenho muita fé em Deus.”
A Folia de Santos Reis, no dia 6 de janeiro, e as festas juninas são especiais para este povo religioso.
No campo da literatura, destaca-se o livro Esboço histórico de Cocalzinho de Goiás. O autor, Antônio Pimentel, registrou a história da emancipação política do município. É um precioso trabalho de documentação que serve de referência para estudantes e pesquisadores. No livro Destino de Amor, o poeta Luciano Petroceli rasga o seu coração em belos poemas românticos.
Sobre a publicação do seu livro, Luciano diz o seguinte: “Em minha vida persegui um sonho. Em torno deste sonho havia Deus para me fortalecer, dando forças para que eu continuasse lutando. Assim eu continuei, pois ele sabe o quanto eu queria este sonho, e mostrar que era capaz de realizá-lo.”
*Matéria publicada no jornal Diário da Manhã, no encarte "Goiás em Raio X" - Cocalzinho

Artesanato no Parque Nacional das Emas


Chapadão do Céu é um município que protege a infância e acredita no futuro de suas crianças. O maior exemplo disso é o bem-sucedido Projeto Florescer.
Criado há 12 anos, o programa municipal está em constante evolução e atualmente atende 120 crianças carentes de 7 a 16 anos.
O Florescer oferece inúmeras atividades pedagógicas. Tem oficina de artes, teatro, leitura, arte culinária, bordado, oficina de pipas, modelagem em argila, aulas de xadrez, dança, reforço escolar, karatê, capoeira e natação, dentre outras modalidades.
A partir dos 16 anos, os alunos do Florescer podem auxiliar os professores, na condição de monitores, ganhando uma bolsa mensal de R$ 90,00. As bolsas são subsidiadas por empresários da região. Os monitores se habilitam para trabalharem em escolinhas infantis.
Florescer
Localizado no Parque Nacional das Emas, o projeto Florescer tem como um dos principais objetivos a educação ambiental. A sede do Florescer é uma chácara próxima da cidade. Lá tem pomar, jardim e horta, inclusive com plantas medicinais, que os alunos aprendem a identificar.
E é neste ambiente bonito e tranqüilo que a criatividade floresce. Antas, araras, tamanduás, tatus, lobos, emas e muitas outras espécies do cerrado emprestam suas formas e coloridos aos trabalhos manuais produzidos pelos alunos.
As crianças aprendem os hábitos de cada animal da região, enquanto confeccionam almofadas, sacolas, quadros e diversos objetos em forma de bichinhos.
A coordenadora do projeto, Marta Ferreira Costa, diz que o objetivo é resgatar o amor pela natureza.“Aqui as crianças aprendem que os animais e as plantas também têm sentimentos e precisam ser tratados com carinho.”

Pipas rumo ao céu
A atividade preferida pela petizada do Florescer é a confecção de pipas. A expectativa é grande por causa do Torneio Municipal de Pipa e a criatividade corre solta.
São pipas com formato de bichinhos, de tamanhos variados. A performance também conta e o céu de Chapadão é colorido pelas obras de arte.
A professora de pipa,Cleusa Ribeiro Martins, 39, conta que está no projeto há cinco anos. “Aprendi a linguagem infantil com meus três filhos, que já estão grandes. Cada aluno daqui é como se fosse meu filho também. São crianças dóceis, carentes financeira e afetivamente. Todos são muito queridos pela equipe de professores. Somos uma grande família”, conclui.
Elói Luiz Abelig, 11, está há três anos no Florescer e diz que adora confeccionar pipas. “Existem muitos modelos. Agora estou fazendo uma pipa invasora”, ensina.
Francisco Leonardo da Silva, 11 anos, está no projeto desde os 7. Ele é campeão de xadrez, caratê e futebol.

* Matéria publicada no jornal Diário da Manhã, no encarte "Goiás em Raio X" - Chapadão do Céu - 2003

Um artista muito eclético


Dirceu Martins, 56, é um artista completo. Paranaense de nascimento, há dois anos ele adotou Chapadão do Céu como sua terra do coração.
Com diversos cursos de Belas Artes, Dirceu também é formado em Dança pela Escola Municipal de Bailado de São Paulo. Ele ainda tem cursos de especialização em Educação Especial, pintura em tecido, artes plásticas, danças folclóricas, artesanato, reciclagem de sucata e teatro.
O artista conta que adora trabalhar com crianças e já lecionou na Apae. É ele quem comanda a parte de educação artística do Projeto Florescer. “Este projeto tem tudo para crescer. Lá, tenho todo o apoio da prefeitura, e já descobri muitas crianças talentosas”, revela.
Dirceu ainda ensina dança e pintura para a comunidade. Duas vezes por semana, ele agita o baile da terceira idade, que atrai pessoas de todas as faixas etárias e diferentes condições sociais.
As telas do artista reproduzem cenários paradisíacos, animais e cenas do cotidiano. Suas cores são fortes, alegres e os traços suaves e firmes.
Completamente envolvido e apaixonado por suas atividades, Dirceu Martins afirma o seguinte: “Embora seja trabalho, sinto que estou fazendo a minha parte como cidadão. Estou feliz e me sinto realizado”, conclui.

tradições gaúchas
Três vezes por semana, parte da população de Chapadão do Céu se reúne para uma boa invernada, no Centro de Tradições Gaúchas. Sob o comando do mestre André Luís Gonsalves, 27, vestidos a rigor, os peões e as prendas se divertem ao som da boa música dos pampas.
O objetivo é preservar a tradição gaúcha e o grupo atualmente tem 27 alunos com idades entre 10 e 54 anos. O mais interessante é que, destes, apenas quatro são gaúchos legítimos. Lá tem de tudo: goiano, mineiro, paranaense, paulista e mato-grossense. Todos se dizem apaixonados pelas músicas e rodopiam felizes pelo salão do CTG Querência do Céu.
O goianiense Jorge Vinícius Barbosa, 16, conta que não se importa com a gozação da família. “Eu gosto de tudo: das roupas, das músicas e dos colegas.”
André Luís, que é mato-grossense de Três Lagoas, conta que os integrantes do grupo incialmente são atraídos pela curiosidade, depois se apaixonam pelo ritmo.
O grupo de danças folclóricas do CTG já tem diversas apresentações agendadas.

* Matéria publicada no Jornal Diário da Manhã, encarte Goiás em Raio X" - Chapadão do Céu

Os ilustres da cidade

Mineira visionária, ela mudou-se para Campos Verdes bem no início do garimpo, em busca de melhores oportunidades. Quem não conhece a dona Joana do hotel?
Ela sabe absolutamente tudo da cidade, nos mínimos detalhes, que faz questão de contar aos visitantes. A empresária Joana Aparecida e o marido, Wilson Pereira, se mudaram para Campos Verdes antes da emancipação do município.
“Morávamos numa fazenda em Crixás e viemos para cá com as três crianças bem pequenas, o caçula tinha um ano. Construímos nossa casa e 20 quartos de aluguel. Com a febre do garimpo, vinha gente de todo lado, isso aqui parecia um formigueiro”, conta Joana.
“Aqui não tinha nada. Tudo era cerrado. Todo dia chegavam centenas de pessoas em busca das esmeraldas. Meu marido era motorista nessa época, e eu tocava nosso negócio sozinha. Meu filho Franksmar e os irmãos cresceram com a cidade.”
Joana conta que tinha briga por falta de vagas. Havia mais três hotéis, todos lotados. Então, quem chegava fazia barracas de lona pela cidade, porque não tinha onde ficar.
A empresária diz que assistiu o apogeu e a decadência do garimpo. “Crianças andavam pelas ruas brincando com notas de R$ 100,00. Todo mundo tinha dinheiro e gastava sem dó há uma década.”
Beneficiados pelo movimento do garimpo, Joana e o marido construíram o Hotel Campos Verdes, o único familiar que sobreviveu com a decadência financeira do município.
Esperançosa, a empresária aposta na nova fase do garimpo e já se prepara para receber novos investidores em seu estabelecimento. “A partir de maio, quando vai ter a feira das esmeraldas, se vocês quiserem vir para cá, vão ter que ligar com muita antecedência reservando quartos”, avisa.

Recordações
Joana lembra que já hospedou pessoas de todos os tipos. “Desde elegantes investidores estrangeiros a matadores de aluguel. Graças a Deus, nunca tive problema com hóspede. Todos sempre respeitaram o meu estabelecimento e sempre pagaram direitinho.”
A violência também já deixou marcas na jovem cidade. “No auge do garimpo, todo dia tinha um assassinato aqui. A cidade era cercada de policiais. Prostitutas e bebida não podiam entrar. Com a decadência, os baderneiros foram embora e hoje vivemos em paz".

* Matéria publicada no jornal Diário da Manhã, no encarte "Goiás em Raio X" - Campos Verdes

A cachoeira dos milagres


A Cachoeira da Água Santa foi revelada para Zilá Maria de Rezende Rocha, 76, em um sonho, em 1963. Ela se considera abençoada e conta que sentia fortes dores no estômago, assim como seu filho, à época com 13 anos de idade. “Estive em vários médicos e tomei todo tipo de remédio. Nada aliviava a dor. Um médico foi muito grosseiro comigo porque não consegui me adaptar à medicação que ele prescreveu”.
Zilá relata que, sentindo-se humilhada, desesperou-se e pediu a Deus que lhe aliviasse a dor. “Três noites depois, sonhei com um homem forte, de meia idade. Ele usava calça cinza e camisa branca. Estava sentado na minha sala e me disse que os médicos não conseguiriam curar a minha dor e que o único remédio era a água de uma cachoeira e indicou o local.”
Zilá sempre morou em Santa Rita do Araguaia, e veio a Cachoeira de Goiás com o marido e o filho em busca da cachoeira do sonho. Após vários dias abrindo estrada no mato, o marido de Zilá encontrou a nascente do Rio Claro. Em seguida, ela avistou a cachoeira. Após vários banhos na água santa, Zilá e o filho se curaram do mal que os atormentava.
* Matéria publicada no jornal Diário da Manhã, no encarte "Goiás em Raio X - Cachoeira Santa"

Quarta-feira, Julho 19, 2006

Vida e o Poeta


No asilo, os dias eram longos e a rotina enfadonha. Amargurados pelo abandono, os velhos decrépitos aguardavam ansiosos pela morte, que lhes chegava como alento. Mas havia uma anciã que fazia a diferença. Ela se chamava Vida e teimava em não envelhecer a alma. Vaidosa, estava sempre muito elegante e perfumada. A intenção não era esconder a idade, que já beirava o centenário, mas aproveitar até a última gota do que acreditava ser um presente divino: sua existência.
A cadeira balançava suavemente e os pensamentos da velha voavam para um tempo muito distante: A alegre menina desengonçada sonhava com um mundo melhor. Acreditava na revolução pela arte, fazia teatro, devorava livros, inclusive os complicados tratados marxistas, que fingia entender. Queria que não faltasse pão para os irmãos, e gostava da poesia marginal que denunciava a fome do corpo e da alma, incitando os estudantes e operários para a luta.
Passaram-se os anos e a menina sonhadora teve que lutar pela própria sobrevivência. Aprendeu que o jogo quase sempre é sujo e que sonhos não pagam contas. Deixou de ler e escrever poemas, e de ser menina. Felina, a fêmea partiu para a revolução sexual. Até que a mulher moderna, liberada e independente viu seu estereótipo cair por terra ao descobrir o fogo da paixão. Fez tudo o que sempre condenou em seus discursos feministas: se humilhou, rastejou, chorou e apanhou.
Ferida, a mulher descobriu o caminho da espiritualidade. Devorou ensinamentos de mestres que estão acima dos sentimentos humanos. Morou na Índia, abriu mão da vaidade, a luxúria abandonou seu olhar e ela tornou-se um ser tranqüilo, em paz consigo. Dizia que ao salvar sua alma, seria um problema a menos para o mundo. Viveu assim por alguns anos, até que sentiu fome de viver. Ela não queria ser santa, não buscava a perfeição e entendeu que uma existência sem riscos de erros e acertos não valia nada.
Perdida, Vida encontrou o poeta, que era um alegre aventureiro. Sedutor, ele tocou seu corpo e aqueceu sua alma. Ela teve medo de se ferir novamente e pensou na tristeza da partida. Entretanto, a alegria do encontro era muito maior. Amadurecida, aprendera a arte de viver. O poeta se foi. Ao final da sua existência, Vida não esperava a morte, mas se perfumava para o poeta. Ela sabia que ele viria buscá-la para uma outra dimensão, onde o amor é infinito.


Maria José Sá
1º de janeiro de 1995